[Crítica] Linha de Ação

linha de ação - poster brasileiro

A consagração de Mark Wahlberg no cinema se consolidou, principalmente, com suas personagens duronas que surgiram desde o inicio de sua carreira. Em mais de dez produções, o ator foi um policial ou esteve do outro lado da lei, sendo este estilo o mais comum em sua filmografia.

Normalmente, a repetição de um tipo específico de papel provoca cansaço, mas Wahlberg consegue sair-se bem até quando o filme não possui uma estrutura boa o suficiente para se tornar significativo.

Linha de Ação tem ambientação levemente noir, situando o público em uma Nova York dúbia, em que não sabemos ao certo se a honestidade e a verdade são reais. Sob o mandato do político Nicholas Hostetler, a cidade vive um período atribulado de alguém que é tido como um ladrão mas, para parecer um político honesto, apresenta medidas populistas.

Wahlberg é o ex-polícial Billy Taggart que, há sete anos, foi desligado da força policial por excesso de vigor em uma ação que matou um estuprador. A opinião pública transformou a atitude em um extermínio e hoje Taggart vive como um detetive particular, sobrevivendo da melhor maneira que consegue, perseguindo maridos infiéis e esposas desconfiadas.

Quando o prefeito convoca-o para um serviço, o ex-policial acredita que se trata apenas de mais um caso de adultério. Mas a investigação é somente o início de um elemento maior que o envolve.

Torna-se evidente que a linha divisória da trama situa-se entre o ex-policial julgado erroneamente e o político aparentemente honesto. Apresentando ao público pistas de sua narrativa, a história permanece no preceito básico de um policial desonrado que, ao se ver subjugado, resolve passar a limpo o que está acontecendo para, literalmente, encontrar uma verdade que se sustente.

Se Wahlberg naturalmente encarna bem o perfil de um policial, Russell Crowe faz um apagado político que nem carisma ou ódio produz. Esta é a segunda interpretação do ator que permanece em uma linha padrão, como se estive sem vontade de dar vida ao personagem. Há uma única boa cena que se destaca, em um debate televisivo com outro político, em que Crowe demonstra seu domínio em frente às câmeras.

Porém, a personagem fica ausente na maior parte do tempo da trama, como um grande mestre de fantoches, fazendo com que a investigação durante a história não tenha um rival declarado, surgindo com maior força apenas no embate final que, evidentemente, coloca as duas personagens em conflito.

O desenlace sem reviravoltas formata uma produção que, antes de assistir, o público é capaz de visualizar do começo ao fim, pela trama risível que nada acrescenta e pela vontade ínfima de seus atores em dar maior profundidade aos seus papéis.

Recomenda-se não ver o trailer da produção, que revela tanto da história que o impacto ao vê-la fica ainda menor.