Crítica | Loja de Unicórnios

As primeiras cenas da vida de Kit aparecem na tela em gravações caseiras datadas do início dos anos 1990, quando ela ainda era um bebê, e seguem seu crescimento. O filme protagonizado e dirigido por Brie Larson foi exibido durante festivais pelo mundo em 2017, e mostra a personagem deprimida após ser expulsa da faculdade de arte, tendo que voltar a morar com seus pais

Loja de Unicórnios tem como ponto de partida o sentimento de autocomiseração de sua protagonista, que passa seus dias sentada ou deitada vendo desenhos infantis antigos. Ela literalmente não tem vontade para nada até que seus pais permitem que Kevin (Karan Soni), seu antigo amigo se aproxime. O tom de melancolia só aumenta, e a música de Alex Greenwald aprofunda esse sentimento de tristeza.

Ao ser admitida em um emprego burocrático, num escritório, ela tem contato com pessoas mesquinhas e fúteis. O roteiro de Samantha McIntyre mostra essas personagens com lente de aumento. Kit conhece o personagem de Samuel L. Jackson por meio de um convite estranho, mas o primeiro contato de ambos é acompanhado de uma recusa da parte dela, procurando ser mais organizada e agir como adulta, fazendo tarefas repetitivas sem sentido típicas da rotina do trabalho corporativo.

O filme começa bem na função de debochar das grandes empresas e das pessoas sem perspectiva que se empregam nesses lugares, mas no decorrer do longa ele acaba se perdendo demais em meio a essa crítica, soando bobo e infantil, tornando Kit uma personagem imatura e incapaz de ouvir “não”. Kit não aprende com as pancadas que a vida lhe dá, ao contrário, ao ganhar uma nova missão que poderia dar um novo significado a sua vida ela simplesmente se perde.

Boa parte do elenco é sub-aproveitado, Hamish Linklater e Mamoudou Athie só parecem estar ali para cumprir contrato, o que é estranho visto ser um filme independente e barato. O final tenta conversar com uma filmografia mais cult e menos mainstream, revelando semelhanças e reverência ao cinema de Miranda July mas sem conseguir replicar o mesmo espírito, caráter e abordagem nonsense, por isso, acaba parecendo mais um panfleto de auto-ajuda mal pensado e pretensioso, um conto estranho sobre personagens que se julgam superiores unicamente por não se encaixar nas regras que a sociedade impõe, no entanto, não há um bom drama bom a explorar nesse quesito, afinal eles não são vítimas sociais, nem tem uma condição de vida precária ou algo que o valha. Nem mesmo a entrega de Larson salva o filme da mediocridade, ao contrário, faz ele parecer ainda mais arrogante.

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