Cinema

[Crítica] Loucuras de Verão

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Loucuras de Verão 1

Trazendo à tona o ideário adolescente estudantil, repleto de descobertas sobre o funcionamento da vida, Loucuras de Verão (ou American Grafitti) é uma produção conjunta da Lucasfilm e Copolla CO, orquestrada por George Lucas quatro anos antes de seu sucesso indiscutível em Guerra nas Estrelas, e que se passa no ano de 1962, tratando com saudosismo o enfoque na década anterior à produção do filme.

O roteiro de Lucas, Gloria Katz e Williard Huyck mostra jovens no início de suas carreiras amorosas e profissionais, dando vazão a uma ingenuidade típica dessa fase da vida, com um espaço enorme para inocência típica da descompromissada curtição de uma vida ainda não lotada de preocupações ordinárias e rotineiras.

Loucuras de Verão 5

A trilha sonora respira classicismo, graças ao caráter de Rockabilly que evoca. Os personagens são genéricos, e as atitudes que tomam para si quase sempre tangenciam pequenos atos de rebeldia, ainda que sejam bastante pueris, como a tentativa de burlar a lei comprando bebidas alcoólicas mesmo sendo menores de idade.

Uma das obsessões do diretor, largamente exibidas em seu longa, é seu amor por carros, com uma longa exposição de espécimes clássicos, fator este que seria também explorado em outros produtos da Lucasfilm, como Indiana Jones e a trilogia clássica de Guerra nas Estrelas. A miscelânea mostrada é tão bela que se assemelha a uma coleção de brinquedos nas mãos de uma criança, que, ao encontrar seu objeto de desejo, não faz outra coisa se não brincar com aquilo.

Loucuras de Verão 3

Como seria de praxe na trilogia que seguiria após este longa, Lucas já imprimia cenas alegóricas, não tão pretensiosas como as de Star Wars, mas igualmente ligadas à contracultura. Atos travessos dos jovens inconsequentes eram facilmente notados como manifestações de libido mais enérgicas, mas sem o caráter explícito comum às franquias Porkys e Picardias Estudantis.

Apesar da fotografia competente e uma trilha sonora pontual, não há muito mais a elogiar em Loucuras de Verão, já que o argumento não tenciona alcançar nenhum objetivo maior que a simples representação do começo da vida de americanos médios, sem muito significado, conteúdo ou exigência da parte de seu elenco, que já contava com Harrison Ford e Richard Dreyfus, antes de se tornarem famosos. American Graffiti funciona melhor como um preâmbulo sobre a despreocupação juvenil de um homem antes de embarcar para a guerra, seja literalmente no certame ou na vida tediosa e rotineira de um civil que gasta toda sua vida funcionando como parte da engrenagem fordista, ainda que essa última análise sirva mais por parte do espectador do que de seu criador.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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