[Crítica] Loving

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O cinema de Jeff Nichols investiga a alma do americano, desde o cidadão conservador médio, até o comumente marginalizado. Foi assim em Separados Pelo Sangue e O Abrigo e é assim com o drama biográfico Loving, que começa através da história do casal Richard (Joel Edgerton) e Mildred Loving (Ruth Negga), que decidem contrair matrimônio na década de 1960 em Virgínia, sendo então proibidos de continuar juntos graças as rígidas leis que coíbem o casamento entre pessoas de raças diferenças.

Os primeiros momentos do filme se dedicam a construir a relação amorosa entre os dois entes, mostrando a dicotomia entre a paixão presente na intimidade dos dois e a total frieza dos agentes da lei que parecem achar certo suas ações de correção via racismo, fator que salta aos olhos do público a todo momento. Nichols consegue causar comoção e aflição em seu espectador, além de uma profunda empatia em quem assiste, o problema é o caminho para chegar a esses sentimentos.

O estudo sobre a intolerância da época é feito via exploração de arquétipos, que ate condizem com a realidade, mas que soam livres de maiores nuances. O filme não é longo, mas aparenta ter uma duração ainda maior que seus 123 minutos exatamente por focar demais em personagens periféricos incapazes de gerar qualquer sentimento que não o cômico, com ótimas tiradas, mas que vez por outras distraem quem está vendo no real foco do roteiro, que é discutir o quão injustas são as leis do ontem e o quanto essas ainda influenciam o sistema atualmente.

Dentre as reações do cinema norte americano a campanha Oscar So White, este Loving acaba por ser dos mais concisos e relevantes esforços para quebrar a pecha de oportunismo, ainda que seu título original possa vir a enganar. O sobrenome que encabeça o pôster se refere ao clã estabelecido a partir da união de amor e ternura entre Richard e Mildred, e não necessariamente ao nome de batismo do personagem caucasiano.

Nichols faz o mais normativo de seus filmes até agora e novamente tece um retrato da memória estadunidense. Mesmo com todas as formulas e com alguns de seus defeitos, o longa cumpre um papel essencial na discussão a respeito dos direitos civis americanos, bem e o conjunto de sensações nele apresentado abarca as mais diversas plateias, exemplificando o quão vergonhoso é e sempre será a segregação em quaisquer moldes.