Crítica | Lucky

Um dos últimos filmes do veterano ator Harry Dean Stanton, Lucky começa exatamente colocando-o como principal personagem enfocado, fato raro em sua larga carreira. Dirigido por John Carroll Lynch, a jornada mostrada é de um sujeito ativo, madrugador, que se exercita e vive seus dias entre a pacata rotina de uma cidade pequena e as tentativas de driblar a velhice de seus 90 anos.

Lucky é ranzinza, não gosta de lidar com qualquer cobrança, ao mesmo tempo em que é extremamente simpático com quem também é afável com ele. Depois de um desmaio e de uma ida ao medico, preocupa-se com sua saúde, atento inclusive a quantidade de maços de cigarro consumidos ao dia. Seu diagnostico é impreciso, mas indica que o desmaio nada tem a ver com o tabaco que consome. Ainda assim, pela alta idade, o doutor indica que seu corpo continuará falhando, e que para descobrir a causa do infortúnio seria necessário uma alta quantidade de exames, fato que seria demasiado cansativo.

Caroll se expressa bem em seu longa de estréia na direção. Uma historia cara, emocional e envolvente, com personagens que se não são muito aprofundados, transbordam carisma, e servem como apoio para que o ator central consiga brilhar como um sujeito que, apesar de não parecer se importar muito com o seu destino, ainda aparenta querer viver.

A sensação de querer se manter operante na vida, ainda que não hajam tantas atividades para um sujeito já a beira de ser centenário é uma alternativa que representa um sentimento de universalidade, evidenciando o desejo pela vida. Lucky contém um roteiro e uma trajetória simples, mas que ganha em qualidade por conseguir expressar sentimentos sem soar piegas, vitimista ou demasiadamente melancólico. Um exercício de atuação magistral de Stanton, além de ter uma condução certeira e econômica do diretor, apresentando marcas próprias e com qualidades que o fazem bem diferente do cinema que seu pai, David Lynch, costuma fazer.

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