Crítica | Lula: O Filho do Brasil

Lula: O Filho do Brasil, de Fabio Barreto, foi lançado em 2009, em meio ao segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A história começa no árido sertão nordestino, com a mãe do protagonista, dona Lindu (Glória Pires) se mudando para perto de seu marido, Aristides Inácio (Milhem Cortaz), um homem bêbado e covarde.

O pequeno Luiz, vivido neste momento por Felipe Falanga é um verdadeiro herói em casa, mesmo que tenha apenas sete anos. Propostas de adoção por parte de pessoas mais abastadas, que querem dar a chance dele estudar com maior facilidade ocorrem com ele ainda pequeno, assim como um enfrentamento por parte dele com seu pai que não permite que as crianças brinquem e nem estudem. Ainda criança, Luiz é a voz dissonante no ambiente em que está e já se nota ali sua paixão pelo futebol, que evoluiria para o Corinthians, já na fase adolescente.

Quando começa a trabalhar, Luiz (Guilherme Tortólio) se suja de óleo, para aparentar que trabalhou mais do que realmente fez, enchendo assim dona Lindu de orgulho e satisfação, reprisando o dito popular de que o trabalho dignifica o homem. A intenção de mostrar ele como uma figura heroica soa dúbia e boba, uma vez que também o faz parecer um aproveitador, mesmo que ainda seja um garoto.

Tanto o contato inicial do metalúrgico, já interpretado por Rui Ricardo Dias, quanto a perda do dedo mínimo da mão direita é mostrado sob um viés piegas, novamente “dourando a pílula” em torno da biografia do ex-presidente. Há um problema também com o ritmo do longa, que acelera e desacelera seus dramas normalmente errando na dosagem do discurso.

Após o segundo casamento, dessa vez com Marisa (Juliana Baroni), o herói da jornada se engaja mais ainda nos meandros do sindicato, passando então a usar em seus discursos os mesmos tons e sotaques peculiares do Luiz Inácio original, soando ainda mais caricatural do que antes, uma vez que seu intérprete simplesmente esquece o sotaque quando lhe é conveniente, soando rouco em alguns pontos da história e deixando a voz grave de lado em outros.

Ricardo Dias faz o que pode enquanto lhe é incumbida a função de representar uma figura icônica de nossa história, fato que se torna ainda mais difícil pelo fato de o biografado ainda estar vivo e ativo. No entanto, Barreto traz uma biografia que fala em partes da vida de seu personagem de estudo, mas peca em não assumir lado e se colocar em cima do muro em relação a ideologias políticas, inclusive verbalizando isso através de algumas conversas entre Lula e sindicalistas, tendo inclusive o cuidado para sequer citar o Partido dos Trabalhadores.

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