[Crítica] Mais Velozes e Mais Furiosos

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Do alto de luzes neon, com muito mais cor saturada e blusões desproporcionais à magreza de seu astro Paul Walker, Mais Velozes e Mais Furiosos consegue perder completamente o aspecto visual e a ambientação do filme de Rob Cohen. Repleto de super closes nos olhos, o filme já começa dentro de uma corrida, apresentando quase todos os personagens centrais: Ludacris Bridges (Ludacris), a oriental Suki (Devon Aoki), Brian, que não justifica os fatos ocorridos no primeiro filme, e a voluptuosa Monica Fuentes (Eva Mendes), a policial a quem o protagonista se reportaria, ainda não introduzida.

Depois da corrida encerrada, os que conseguiram finalizá-la certamente comemoram, mostrando uma mediocridade não vista no primeiro episódio. Mais pasteurizado ainda, o conteúdo inconveniente é reprisado neste, até a captura do tira, que deveria mais uma vez realizar uma ação infiltrada em um cartel de drogas de Miami, claramente imitando alguns seriados famosos. Brian O’Connor escolhe então um parceiro condizente com sua paixão por carros, Roman Pierce (Tyrese Gibson), para justificar a química e tensão racial, que jamais se justificam no filme todo.

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As razões que envolvem as ações de O’Connor e Pierce são fracas, seguidas de cenas cômicas mal concebidas, com uma direção pesada e a pecha de alívio cômico de Gibson muito mal encaixada, uma vez que quase nenhuma de suas piadas consegue fazer rir. É curioso como a manobra de aposta do próprio veículo, usada por Brian como fator surpresa, vira rotina em Mais Velozes e Mais Furiosos, e é usada até em outros momentos da franquia. O que antes era uma novidade é brutalmente banalizado, assim como todos os fatores positivos da episódio original.

Toda a exploração do tema é realizada como nos blaxploitation, desde a palheta de cores até o alto número de negros no elenco principal. John Singleton já havia realizado Baby Boy e Shaft, produções muito mais inspiradas. O tom de completo exagero faz com que o roteiro vazio consiga denegrir até as invenções das câmeras de Singleton, quase sempre artificiais, tentando explorar uma erudição que não combina em nada com o estilo dos filmes.

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Não há qualquer rastro de naturalidade nos personagens. Mesmo as cenas de tortura com ratos são risíveis. A longa duração também é um incômodo, não só por ter quase duas horas de exibição, mas também porque a trama não sustenta sequer um média metragem. As artimanhas de despiste, repletas de piadinhas e acenos para os policiais, fazem acreditar que o filme foi montado para atender a atenção de crianças pré-escolares, o que explicaria a violência sem sangue, as trapalhadas e piadas físicas, além dos cenários e figurinos semelhantes a Bambuluá, além da ausência de mortes, como nos desenhos de G.I. JOE.

Exceto pela excessiva beleza de Eva Mendes, pouco há de positivo a se mencionar no filme. As cenas em CGI são muito mal feitas, os personagens não têm nem carisma nem profundidade, o vilão não convence em sua malignidade e não há plasticidade nas cenas de corrida. Possivelmente, a mudança de localidade ocorreu para distanciar a franquia do que ocorreu neste filme e sua trilha sonora fraca regada a PitBull – essa amálgama de defeitos faz deste disparado o mais vexatório de uma saga muito criticada.