[Crítica] Mansome

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Mansome é um filme cuja produção executiva estava a cabo dos atores protagonistas em Arrested Devolopment, Jason Bateman e Will Arnet. Grande parte do humor presente no seriado retorna ao documentário de Morgan Spurlock, que investiga jocosamente a aparência e comportamento masculino, analisando elementos genéricos, a partir de barba, cabelo e bigode. Depois de fazer um trabalho controverso, acusativo e de denúncia em Super Size Me – A Dieta do Palhaço, o alvo seria uma faceta mais leve da humanidade, tratado com normalmente com uma severidade desnecessária.

O entrevistado que primeiro dedica um tempo minimamente exigido para Spurlock é o diretor John Waters, um homossexual assumido conhecido por seu bigode fino a la Clark Gable. Curioso é que o estereótipo de homem que cuida de sua aparência com tratamentos especiais e afins é ocasionado por espécimes teatrais, por Arnet e Bateman, que interpretam a si mesmos, homens heterossexuais, longe de qualquer estereotipo prévio e preconceituoso que associa o homem cuidadoso com sua estética com um efeminado.

Paralelo a isto, exibe-se um estilo de vida totalmente baseado em pelos faciais, com sujeitos que cuidam de suas barbas como muitas mulheres costumam cuidar de seus cabelos, cultivando-as para entrar em competições ao redor do globo. Os Estados Unidos começariam a se valer de conceitos comuns a África, de que o homem não “deixaria de ser” homem por começar a decorar a si mesmo, com sprays, tintas, spas, tratamentos de pele, com o uso contínuo além do mainstream do showbusiness. As razões são diversas, desde medo de envelhecer até queda de cabelos e receio de ser menos atraente em relação a caça do belo sexo.

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A busca por entender a mente repleta de testosterona passa por conceitos conservadores e regulares, até a mentalidade puramente misógina, que impede muitos homens de se cuidar mesmo que queiram, por medo de serem associados ao “ser inferior feminino”, resultado da perseguição propagada secularmente e reforçada pelo mercado de trabalho e pelas parcelas mais antigas da sociedade medíocre ao redor do globo.

Os closes rápidos projetam opiniões diversificadas, de pessoas cujo repertório é completamente diferente, onde o conjunto de impressões visa representar a opinião publica e relacioná-la as práticas de auto-cuidado, feitas pelos homens, desde as mais comuns até as mais esmeradas. A miscelânea de falas distintas exibe uma multiplicidade de pensar e julgar, tanto o homem quanto as mulheres que os desejariam, no caso do heterossexual, sem abandonar o quanto a aparência influencia no cotidiano humano, sejam quais esferas seriam.

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A proposta de Spurlock investiga a superfície do comportamento masculino, não se aprofunda, até por ter na estética seu alicerce, a camada menos profunda da pele e do corpo humano é o alvo. No entanto, os panoramas e assuntos discutidos de modo leve servem bem ao entretenimento e promovem uma discussão, que por sua vez faz o espectador refletir sobre suas próprias ações, além de promover uma avalição de como o público enxerga o papel do homem na comunidade, o que faz colaborar para a análise mundana, especialmente ao focar