Crítica | Máquinas Mortais

Peter Jackson desde que fez a trilogia Senhor dos Anéis mudou radicalmente o caráter de sua filmografia, largando os filmes de terror despretensiosos e criativos para fazer filmes grandiosos, que vez por outra incluíam uma fantasia grandiloquente.A adaptação de Máquinas Mortais, dos livros de Phillip Reeve tinha  um caráter assim, e a participação de Jackson ocorreu não só na produção, mas também na colaboração do roteiro, junto a Fran Walsh e Philippa Boyens. Ao menos nos primeiros momentos os efeitos especiais são bem empregados, com a perseguição de duas cidades sob rodas ocorrendo em um cenário desértico, que faz o visual steampunk sobressair.

A historia contada pelo diretor Christian Rivers (ele fez os storyboards de Senhor dos Anéis e O Hobbit) se passa no futuro, e é contada a partir de muitas referencias a cultura popular, não só as obras mas também aos comportamentos. O modo como o homem vive é bem diferente e não se perde tempo explicando como ele chegou até ali e como funcionam as classes de trabalhadores e burgueses. Isso pode parecer positivo, pois o texto é extremamemente expositivo, assim como boa parte das cenas de ação soam genéricas.

A historia é narrada por Tom Natsworthy , um rapaz interpretado por Robert Sheehan e que parece uma versão genérica e menos talentosa de Justin Long. Ele é bem próximo da bela Katherine (Leila George), uma menina que parece ter interesse amoroso por ele, mas o próprio filme esquece isso. Depois que Londres engole outra cidade, entra outra menina na equação, Hester Shaw (Hera Hilmar) , e seu desejo é assassinar Thaddeus Valentine (Hugo Weaving), o benfeitor da cidade e pai de Katherine. A grande questão é que a soberania tirânica da cidade inglesa não dá margem para que qualquer pessoa possa considerar o seu governante como alguém heroico, mas ainda assim é unanimidade de que ele é um sujeito bom e benevolente.

A historia de desdobra de uma maneira tão obvia e repleta de clichês que chega a assustar. Mesmo os bons conceitos são sub utilizados e esquecidos em meio a trama. As tentativas de piadas são falhas, o modo como de critica os hábitos humanos atuais como o uso de telas para comunicar (TV, celular, computador etc) soa vazio, assim como algumas das piadas, em especial nas auto-referencia, como quando aparecem estátuas dos Minions e os estudiosos dizem que eles eram divindades dos terráqueos antigos, basicamente porque este e Meu Malvado Favorito e suas continuações são da Universal, via Illumination, o estúdio que a produz.

Quase tudo é gratuito, as referências não funcionam, a auto propaganda é gratuita e irritante e mesmo com uma longa duração, de mais de duas horas, não há desenvolvimento de qualquer personagem fora o casal de protagonistas. A maioria dos personagens periféricos parecem genéricos de lutadores de Matrix, da versão de A Máquina do Tempo de 2002 ou dos filmes de ação protagonizados por The Rock. Nem a estética steampunk é utilizada de uma maneira inteligente, até isso que era uma ideia boa, fica extremamente gratuito e jogado, em meio a bagunça que o filme é.

 A ideia de discutir as relações de poder poderia ser boa, caso não fosse tratado de maneira tão rasa, quanto é. A mitologia também soa confusa e o ritmo do longa talvez seja o maior de todos os defeitos da trama, aparentemente Rivers tem o mesmo problema que Jackson em terminar suas historias, uma vez que com quarenta minutos de filme ele já consegue apresentar uma espécie de point-line. A perspectiva para a franquia é de que pare neste capítulo e não sejam mais adaptados os outros livros, dado que não vem rendendo bilheteria, bem como o feedback da crítica é negativo, e não é por menos, Máquinas Mortais erra em quase todas as suas propostas, o filme não é bonito visualmente, as atuações são bastante fracas e histriônicas, não há personagens carismáticos e há muita gordura em seu texto final.