Crítica | Marcos Medeiros, Codinome: Vampiro

De Vicente Duque Estrada, o documentário Marcos Medeiros – Codinome Vampiro é um filme biográfico sobre o personagem titulo, tratado como um dos líderes do movimento universitário em meio a época da Ditadura Militar. Estudante de Filosofia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ele participava de muitas passeatas e organizava comícios com outras lideranças estudantis como Vladimir Palmeira, e outras resistências da época, como Cid Benjamin.

Marcos é tido como uma liderança muito forte, sempre articulado e claro, com pinta de galã — Medeiros era um sujeito bonito e carismático. O personagem investigado sempre foi muito visto em fotos da época, mas poucas vezes era citado como uma das lideranças dessas resistências. Também se destaca sua carreira como colaborador de cinema e cineasta underground, desde suas participações como pesquisador,= quanto co-autor, com expoentes do cinema como Glauber Rocha, além da proximidade que teve outras tantas figuras do Cinema Novo, e até mesmo cineastas internacionais como Costa-Gravas.

O final do filme cai em uma abordagem bastante emocional, com o lamento do final de vida que Marcos teve, acompanhando o modo melancólico como ele lidou com a situação precária em que viveu seus últimos dias. O personagem titulo parecia triste, impedido de viver todos os prazeres que sempre usufruiu, muito graças a perseguição pós volta do exílio, que o impediu de trabalhar normalmente, fato que ocorreu não só consigo, mas com outras pessoas que voltavam da perseguição.

A maior riqueza do documentário certamente é a narração dos textos e pensamentos de Medeiros, lidos de maneira ímpar pelo dublador Ricardo Schnetzer, que traz um fôlego novo as palavras do ativista revolucionário. Seu pensamento contra cultura é muito bem flagrado pela câmera, pelas imagens de arquivo e principalmente por essa interpretação dramática das falas do personagem central do drama, e Marcos Medeiros – Codinome Vampiro consegue enquadrar isso tudo de maneira muito bela e informativa, com esses dois eventos na medida.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.