Crítica | Megatubarão

Com a popularização do chamado cinema trash, a Asylum começou a produzir muitos filmes que são intencionalmente vagabundos, com efeitos especiais toscos, roteiros primários e atores que claramente não tem espaço em qualquer produção audiovisual séria, e um dos temas que mais se usa nesse sentido são os tubarões. Sharknado, Mega Shark, Ghost Shark são só alguns dos muitos filmes da famigerada Sharksploitation que essas companhias de cinema sem dinheiro fazem. Eis que a Warner Bros resolveu fazer a sua versão desse fenômeno, com um orçamento graúdo e com uma estrela de nível baixo, Jason Statham, mas sem o mesmo charme das produções mais pueris.

A história começa com Jonas Taylor (Statham), um especialista em resgates submarinos tendo um dia comum, onde tem que salvar uma tripulação embaixo d’água. Essa ação tem baixas, o personagem de Statham deliberadamente deixa alguns homens para trás, a fim de salvar outros, e isso faz com que ele seja encarado como um louco/covarde. Em outro momento, depois da construção de uma enorme base marinha, hipertecnológica e bancada por um bilionário, um outro submarino fica preso por algo misterioso nas águas mais profundas e Taylor é chamado, seduzido pelo fato de sua ex-mulher estar a bordo daquilo.

O diretor John Turteltaub é responsável pelo remake para a TV de A Hora do Rush e também comandou os filmes O Aprendiz de Feiticeiro e Última Viagem a Vegas, todos produtos bem diferentes de um longa de ação escapista, de modo que, sua experiencia pouco auxilia no resultado final. A maior parte do humor presente no roteiro se baseia na simples exposição de corpos e sedução, seja o de Statham sem camisa ou do charme recatado de  Bingbing Li. Acaba sendo esse um filme para toda a família, um produto que não incomoda absolutamente ninguém e que tem uma ou outra cena bizarra.

O gore do filme de vez em quanto ousa, em especial quando mostra as dilacerações dos tubarões, mas incrivelmente as vítimas humanas quase nunca tem sangue ou amputamentos. Mesmo os absurdos não são tão gritantes quanto poderiam, mas o que mais irrita Megatubarão é que ele promete que será escrachado, mas não é, se mostrando apenas mais um exemplar contido e preso em uma fórmula hollywoodiana muito cartesiana e que não pratica qualquer diferencial do restante dos filmes de ação recentes.

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