Cinema

[Crítica] Mente Criminosa

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Mente Criminosa - poster

Se existe algo corriqueiro no cinema de ação é o exagero. Explosões, planos de dominação mundial, perseguições, entre outras distrações que, combinadas, nos enchem os olhos e, algumas vezes, até nos fazem perdoar as imperfeições e deficiências de alguns longas. É exatamente este o problema de Mente Criminosa, do diretor israelense Ariel Vromen. Aqui, o exagero é elevado à enésima potência, causando um desconforto quase que imediato ao espectador em sua primeira metade de exibição.

Bill Pope, interpretado por um apagado Ryan Reynolds, é um agente da CIA que foi assassinado ao tentar desmantelar um plano de destruição que, segundo a trama sugere, teria consequências globais – temos aqui o primeiro clichê. Na tentativa de dar prosseguimento ao trabalho de Bill, a CIA convoca um cientista vivido por Tommy Lee Jones para realizar um transplante da mente e de suas emoções para um prisioneiro de sanidade mental comprometida (Kevin Costner). Forma-se assim uma história que ganha tons surreais com as oscilações de personalidade de Jericho, personagem de Costner, que se divide entre a vingança àqueles que lhe impuseram esta nova condição e a predestinação em ser o herói, herança deixada por Bill.

Se a deficiência do roteiro está clara, a direção do filme não fica atrás. Vromen tinha um time e tanto de atores à sua disposição e não conseguiu extrair deles atuações capazes de salvar o longa. Gal Gadot, que aqui interpreta a esposa do policial assassinado Bill, é um dos poucos acertos do elenco. Aliás, a moça que foi uma das poucas unanimidades positivas em Batman Vs Superman – A Origem da Justiça mostrou neste filme que não precisa de um escudo para ser notada. Gary Oldman, que completa o elenco, empresta um pouco de sua credibilidade ao filme. Em suas aparições, surge até mesmo a sensação de estarmos assistindo a outra fita, tamanha a desproporção das atuações.

Com roteiro irregular, direção confusa e atuações destoantes, Mente Criminosa não consegue ser sério quando precisa. Justamente por isso acaba por se tornar uma experiência cansativa e suas quase duas horas de exibição são sentidas pesadamente. Faltam elementos que gerem empatia com os personagens e facilitem a digestão do texto. Não é nem de longe um dos piores exemplares do gênero, mas certamente não será lembrado com carinho nas carreiras dos envolvidos no projeto.

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Texto de autoria Marlon Eduardo Faria.

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