Crítica | Meu Tio e o Joelho de Porco

Chega ao circuito Meu Tio e o Joelho de Porco, longa que conta a história da banda punk Joelho de Porco através do diretor Rafael Terpins, que começa a investigar o diário antigo de seu recém falecido pai, descobrindo detalhes da vida de outro parente seu, o tio que teve participação na tal banda.

O filme reúne elementos típicos de documentário com animação, além de obviamente fazer uso dos depoimentos de pessoas que participaram do passado da banda, que serviu de inspiração para boa parte da cena de rock alternativo paulistano. As influências dos integrantes e as boas sensações que tiveram os que participavam daquele cenário setentista são muito bem exemplificadas, não só pelas palavras dos entrevistados, mas também pelos vídeos antigos de baixa qualidade mostrados, que dão um ar de crueza muito autêntico ao longa.

A banda foi chamada de punk por falta de um rótulo melhor. O humor é muito presente no roteiro de Terpins, em especial quando fala ou mostra um dos integrantes da banda que era desafeto do seu tio e que portanto, acabou por não ser entrevistado, embora haja uma citação a um texto seu de resposta ao convite para conversar. Tudo no documentário é uma grande piada, ao mesmo tempo se mostra extremamente reverencial à trajetória da banda.

O realizador consegue resgatar bem a memória de uma banda que claramente influenciou todo o cenário de Rock underground brasileiro, e até um pouco do mainstream paulistano, e faz isso sem soar didático ou professoral. Meu Tio e o Joelho de Porco tem uma estética e narrativa modernizada e fala de modo irreverente e descolado sobre seu objeto de análise, trazendo muito da essência da banda biografada para uma linguagem mais atual.

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