Crítica | Michael Jordan: Air Time

Documentário de 1993, Michael Jordan : Air Time foi um especial para a TV, da NBA, que louvava a memória do ainda jogador Air Jordan, o maior da categoria, brincando com a figura mítica criada em volta dele,  que além  de um jogador soberbo e absurdo, era também uma indiscutível celebridade. A trilha sonora instrumental no começo remete a música eletrônica, enquanto mostra sua repercussão em propagandas solo, em comerciais com Spike Lee e até em episódios da sitcom Seinfeld.

Analisar esse filme hoje é curioso, e ele pode ser bem complementado pelo especial da EspnJordan : Ride the Bus, pois foi em 93 também que ele anunciou sua aposentadoria,  por conta da morte de seu pai. É estranho notar isso, pois no formato escolhido pelos produtores (liderados por Don Spearling), é mostrado Michael conversando com  a câmera diretamente, sentado numa quadra toda preparada para ser um cenário perfeito,  e fora o desempenho excelente dos touros de Chicago, o maior fato discutido por Jordan é a aposentadoria de Magic Johnson, por conta da descoberta de ser soropositivo. Ele se torna a figura mais famosa da liga e o embaixador da NBA, e ele é perguntado de isso é muita responsabilidade. Sua resposta é que isso não seria um problema mas vai se saber se já havia ali um embrião do pensamento de parar.

Michael era celebre, havia feito um clipe com seu xará, Michael Jackson, lançariam um livro, The Jordan Rules e a expectativa era de qur ele transformaria os Bulls numa franquia tão conhecida e celebrada quanto os Celtics de Boston ou os Lakers de Los Angeles, e parte disso envolveu a questão de tentar ganhar 70 jogos,  mas isso não ocorreria. Nesse trecho há um pouco de confusão , pois ao mesmo tempo que aborda possíveis marcas pessoais, também se fala do All Star Game de 92, onde Magic brilharia, muito com auxílio de Jordan.

Claramente é um filme chapa branca,  mesmo nas polemicas. O filme passa muito rapidamente pela questão das apostas, e trata como apenas remotas possibilidades dele ter apostado no golfe, fato que é proibido. Como é uma peça comercial,  surpreende por simplesmente tocar no assunto, embora isso possa ter ocorrido exatamente por ser um assunto muito em voga na época, servindo assim como argumento de defesa para o ídolo. Não se toca na boataria envolvendo ele ter apostado supostamente nos próprios jogos que ganharia, mas como realmente é só um rumor/teoria da conspiração,  é natural que não tenha dado nota a essa possível movimentação.

O desempenho dessas ultimas temporadas foi impecável,  e obviamente que um filme que busca louvar a memória de um ídolo do esporte, não deixaria de focar na obsessão que Jordan tinha em ganhar, e o quanto isso passava para os seus companheiros. As passagens por eventos mais recentes como o Dream Team é bem resolvida apesar de breve e de não acrescentar muito. Air Time é um objeto propagandista, mas de bela apreciação,  por representar bem o modo como a opinião publica encarava Michael e como ele era deusificado.

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