[Crítica] Minha Vida de Abobrinha

Ícaro é um garoto de 9 anos que responde pelo atípico apelido “Abobrinha”. Logo nos minutos iniciais acompanharemos sua vida sendo totalmente transformada pela súbita morte de sua mãe, fazendo assim com que o garoto seja transferido para um lar adotivo. Já dentro do orfanato, “Abobrinha” irá se deparar com diversas outras crianças marcadas cada qual por situações estruturais familiares complexas. Nota-se pela personalidade dos jovens em questão o quão afetados eles são, por suas respectivas condições e seus traumas traumas inerentes. Enquanto a mãe de Abobrinha padecia com o alcoolismo, o pai de seu amigo de internato, Simon, sofria de dependência química e assim por conseguinte vamos descobrindo aos poucos novos e dramáticos conflitos das outras tantas crianças residentes dali e suas particularidades.

A animação tem um pouco mais de 60 minutos de duração, não é longa, porém, é incisiva em sua proposta. O esmero da produção é notoriamente incrível, principalmente pela sutileza com que temas tão delicados são abordados e transpostos para a tela. Os conflitos de cada personagem vão se revelando para o espectador aos poucos, de história em história, entre situações e diálogos sem que pra isso seja necessário um super didatismo narrativo. Ainda que se trate de uma obra que têm como carro de frente crianças como protagonistas, o enredo é bastante global e dono de uma linguagem singular, capaz de tocar, emocionar e conscientizar qualquer um — independente de idade ou afins.

Outro grande atrativo da animação, foi a excelente decisão do diretor Claude Barras de  filmar tal história em Stop-Motion, solução hoje em dia raramente abordada. Stop-Motion (“movimento parado”) consiste-se em uma técnica de fotográfica que em sequência fotografa um mesmo objeto inanimado sob diversos pontos diferentes, criando assim uma ilusão de movimento.

Minha Vida de Abobrinha concorreu esse ano ao Oscar de melhor animação, prêmio  que acabou sendo ganho por Zootopia: Essa Cidade é o Bicho. Este com certeza é um filme que merece bastante atenção e certamente merece ser visto, seja por seu tema, sua execução ou por  sua intenção. Uma animação que transcende diversos aspectos do gênero e nos brinda  com uma cálida e singular obra de arte.

Texto de autoria de Tiago Lopes.

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