[Crítica] Moana: Um Mar de Aventuras

Em uma ilha no Pacífico vive uma comunidade tribal, cuja principal fonte de alimento é o coco. A tribo tem uma vida harmoniosa e feliz, e sua principal regra é não se afastar da ilha. Moana (Auli’i Cravalho), filha do chefe local, sonha com o além-mar e é impedida por seu pai de se aventurar além dos recifes. Porém, desde criança, o oceano parece chamá-la para o desbravamento, e a filha do chefe cresce com esse ímpeto em seu coração – principalmente por ter ouvido histórias de sua avó sobre um semideus destemido que podia se transformar em qualquer animal e que estaria perdido em alguma ilha oceano adentro.

Esse é o princípio de Moana: Um Mar de Aventuras, dirigido pela dupla John Musker e Ron Clements (A Pequena Sereia, Aladdin, Hércules, A Princesa e o Sapo), e nova empreitada da Disney em longas animados. A história é inspirada em lendas polinésias, e desde o início já se viu envolta em polêmicas. A empresa foi acusada de apropriação cultural por representar  a cultura maori, principalmente o semideus Maui (Dwayne Johnson), que é tido como uma ancestral real desses povos. A isso se somou um isolado episódio no Dia Das Bruxas, em que uma fantasia do personagem continha também suas tatuagens, algo que foi considerado um desrepeito, pois, as tatuagens maorio são pessoais e intransferíveis. Um pequeno erro da Disney que, de qualquer maneira, tomou o cuidado necessário para respeitar a fonte de inspiração. Ainda que para parte do público ocidental pareça irrelevante, as críticas talvez tenham sido exageradas, já que até mesmo The Rock foi criticado pelo sotaque e pronúncias de palavras regionais, mesmo sendo ele descendente da família real de Samoa.

Na trama, The Rock interpreta Maui, que embora seja apresentado a princípio como um herói destemido, mostra-se uma pessoa bastante arrogante ao se encontrar com Moana, personagem-título e exemplo dessa nova safra de princesas que tomam o protagonismo de suas vidas sem esperar por um príncipe encantado. Aliás, princesa não, afinal Moana faz questão de deixar claro durante o filme que não é uma princesa, e sim uma líder, destacando o girl power.

Para salvar sua ilha do definhamento pelo qual está passando – falta de alimentos, desde o coco até os peixes – Moana descobre que precisa seguir as antigas lendas e procurar Maui para juntos devolverem o coração de Te Fiti, a deusa que criou a ilha. Assim, desobedecendo seu pai e a tradição que deveria manter, ela decide se aventurar pelo oceano. A protagonista ajuda Maui a encontrar seu anzol mágico, e em contrapartida, Maui a ajuda a restaurar a natureza em sua ilha. Dentre as aventuras, a dupla enfrenta piratas pigmeus em forma de coco conhecidos como Kakamora, em uma parte do filme que definitivamente não acrescenta nada à trama. Dentre os alívios cômicos (obrigatórios em filmes Disney) temos o galo Hei Hei, um ser absolutamente descerebrado que sabe-se lá como ainda se mantém vivo, e as tatuagens animadas de Maui, que não só contam sua história como também interagem com os personagens. A avó de Moana, Tala (Rachel House), faz o papel da velha sábia que conduz a protagonista ao seu destino, tal qual Rafiki em O Rei Leão ou o Mestre Yoda em Star Wars.

A qualidade dos gráficos é realmente impressionante, principalmente no relevo das tatuagens e na animação das águas. Se alguns anos atrás os animadores evitavam representar água em CGI, o novo longa da Disney prova que essa é uma barreira já ultrapassada. Os personagens são carismáticos e até mesmo o vilão Tamatoa (Jemaine Clement), o caranguejo gigante, gera empatia com os espectadores em seu número musical (aliás, as músicas da versão dublada não perdem em nada para o original). Se os próximos filmes do estúdio continuarem seguindo essa qualidade, a ideia de que estamos vivendo uma nova renascença Disney pode se confirmar, sem sombra de dúvidas.