[Crítica] Monstros

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Chegando sem muito alarde, Monstros (Monsters) tem tudo para se tornar um filme cult de gênero, seja por seu baixo orçamento, as questões levantadas durante o longa e até mesmo pelo clima despretensioso, o que o torna mais crível para o espectador, diferente dos seus irmãos ricos de Hollywood.

Monstros traz uma trama bastante batida, um misto de Distrito 9 e Cloverfield, porém, com o decorrer do filme ele acaba funcionando muito mais como um filme pós-apocalíptico. Tendo como plano de fundo nosso mundo, onde humanos e alienígenas convivem de forma nada amigável. Já se passaram 20 anos desde a chegada desses seres e até o momento não conseguimos exterminá-los.

A principal zona de infecção fica entre os Estados Unidos e o México e ao se ver sem alternativa, as duas nações criam uma campo de controle na fronteira entre os dois. Obviamente, os Estados Unidos dão um jeito de conseguir conter esses seres, criando um muro de contensão, tornando o México a área mais afetada. No meio desse cenário temos um jornalista responsável por cobrir o que está ocorrendo no México, mas seus objetivos são mudados quando seu chefe o obriga a levar sua filha de volta para os EUA, já que ela acaba se ferindo durante um ataque enquanto estava no México.

O diretor estreante Gareth Edwards faz uma mescla de documentário, trazendo o olhar crítico e político sob as questões levantadas, a adaptação do povo mexicano aos ataques, o descaso do governo americano em ajudar seus vizinhos, a crítica está em metáforas sobre os preconceitos vividos pelos imigrantes em território americano e toda a xenofobia por parte deles. Tudo isso seria ótimo se já não tivesse sido apresentado em Distrito 9.

Apesar do orçamento pequeno, apenas 500 mil dólares, o diretor utilizou muito bem. A estética do filme nos faz acreditar que tudo aquilo seria possível. Os efeitos especiais em nenhum momento soam artificiais. Os protagonistas são carismáticos, mas o romance entre eles força um pouco a barra, nada que atrapalhe ou prejudique a trama.

Monstros está longe de ser um grande filme ou que ficará marcado em alguém, mas diverte, traz críticas interessantes e mostra que é possível fazer um filme de catástrofe/ficção científica com um orçamento pequenininho. Uma pena o roteiro ser didático demais.