[Crítica] Motorrad

Único filme brasileiro presente na seleção de longas para o Festival de Toronto, Motorrad é o novo filme de Vicente Amorim (Corações Sujos), baseado em personagens criados pelo quadrinista Danilo Beyruth (Bando de Dois, Astronauta: MagnetarSão Jorge – Volume I e São Jorge – Volume II). A história tem um cunho de terror, misturando elementos de thriller e slasher movies.

Na trama, acompanhamos a história do motociclista Hugo (Guilherme Prates), um jovem curioso que parte até um ferro-velho isolado do restante da civilização para tentar roubar peças de moto, Para que possa acompanhar seu irmão em uma aventura sobre duas rodas. Recebido de maneira hostil por Paula (Carla Salle), uma garota bela e misteriosa, que inicialmente o afasta, mas mais tarde o encontra em uma situação bastante estranha. Após esses eventos, Hugo e outros motociclistas adentram em uma trilha misteriosa, até se depararem com um muro recém-fechado. Eles decidem avançar assim mesmo retirando as pedras que compunham a antiga brecha, desse modo começando uma série de desventuras, onde passam a ser perseguidos por um grupo nesse vale isolado.

A fotografia de Gustavo Habda tem uma prevalência na maior parte dos momentos de cores mais acinzentadas, e isso já no começo confere ao longa um ar de desolação e finitude semelhante ao visto nos filmes de pós-apocalipse como o Mad Max clássico. As primeiras cenas também lembram os filmes B, de William Friedkin, mas tal identidade visual sofre impactos estranhos, fazendo com que até esse bom aspecto seja deixado de lado, em erros crassos de composição e imagem, fazendo perguntar inclusive qual era a função do continuísta nesse caso já que muita coisa passou despercebido, entre elas, essa estranha questão da cor que muda bruscamente, passando do tom cinza já citado para outros mais amarronzados, sem qualquer preparação ou atmosfera para tal mudança.

Mesmo as mortes mais agressivas soam um pouco artificiais, tampouco há coragem do filme em se assumir como um exemplar trash. A batalha final entre os sobreviventes e os assassinos maus também é mal construída, resultando em um anti clímax terrível. Ao final da visualização há de se perguntar inclusive como pode ser tão fácil decapitar as pessoas, ainda mais com os facões utilizados nesse Motorrad, que não chega a ser risível como filme de horror, mas também não consegue alcançar seu potencial positivo.

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