Crítica | Museu

Supostamente baseado numa historia real, Museu é um filme de Alonso Ruizpalacios que mostra um grupo de rapazes loucos que em 1985 teriam roubado um museu de antropologia mexicano. O começo da trama mostra alunos em excursão dentro do museu de Satelite, com Juan, um funcionário do local de idéias bem diferentes das comuns a um jovem, fotografa as peças de arte, sempre querendo toca-las.

O filme é narrado pelo amigo do protagonista, Wilson (Leonardo Ortizgris), um rapaz que sempre acompanha o personagem de Gael Garcia Bernal, normalmente concordando com as maluquices do amigo. Antes mesmo de interagirem com terceiros, Juan pede para ele lançar uma flecha contra si, para acertar uma maçã, tal qual ocorreu na lenda de Guilherme Téo, e ainda reclama com um companheiro quando ele tem receio de machucá-lo. Logo depois disso, é mostrado Juan cobrando as crianças para jogar Space Invaders no Atari de seus parentes mais novos.

A época do roubo é no final do ano, se aproximando da época de natal e é nesse momento que Juan, diante da sua família (Nuñez) se demonstra um completo anti capitalista, que não concorda com o consumismo típico dessas épocas, e passa, por pura implicância com seus irmãos e irmãs, a mandar as crianças abrirem os presentes antes da hora, fato que causa um caos com os pais delas, além de contar que o Papai Noel não existe. Todos esses fatos são mostrados de maneira muito cômica e engraçada.

Independente do que ocorre na ceia e do choque familiar, Juan parece paralisado, letárgico provavelmente por planejar o que quer fazer ao chegar ao museu, lugar esse que o próprio diz ser a única fonte de cultura de Satelite. Isso causa na dupla, em especial em Juan, uma certa culpa, não grande o suficiente para ele deixar o plano de lado, mesmo que seu plano seja repleto de falhas, sem nenhum planejamento, resultando obviamente em um roubo extremamente atrapalhado.

A quantidade de itens subtraídas é enorme e por um milagre eles conseguem sair de lá, pela ventilação e de maneira claustrofóbica e sem qualquer arranhão ou risco de vida ou de serem pegos, mas obviamente que ele não conseguem ficar tranquilos por muito tempo. Todos os absurdos apresentado por Palacios e Manuel Alcalá no roteiro fazem o drama soar hilário, como uma comedia errática que faz perguntar até que ponto o script segue a suposta realidade da historia.

Palacios produz um filme que mira a poesia e acerta demais, mesmo que tenha na comicidade sua mola mestra. Juan claramente não é um sujeito ganancioso, como os saqueadores que negociavam relíquias e que são os reais fundadores dos primeiros museus do mundo – como é dito no próprio filme, a antropologia dificilmente existiria sem a contravenção – o seu desejo por tocar as artes tem fundamento no desejo por se aproximar da arte, de algum modo, e o mais próximo era através desse ato de loucura.

O desfecho do filme é extremamente emocional, mistura reconciliações entre famílias e amigos e o confronto com a verdade e a realidade. Juan sofre, mas é incapaz de prejudicar seu grande amigo, e a forma como acaba a sua trajetória é cortada por uma redenção realista, sincera e ate bela. Nem o narrador sabe identificar o motivo que fez com que a dupla roubasse o museu, e esse mistério pontua bem a historia fantástica por trás dessa contravenção elaborada por uma pessoa tão confusa  e que foge da covardia que apresentou até ali.

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