Crítica | Nasce Uma Estrela (2018)

Nasce uma Estrela é o longa metragem de estreia de Bradley Cooper na função de diretor, e é focado na relação sentimental entre o cantor e rockstar depressivo Jackson Maine, vivido pelo próprio realizador, e Ally, uma jovem cantora que se apresenta em cabarés e bares LGBTs e que tem emprego maçante que ocupa o seu tempo e de certa forma, esmaga seus anseios e sonhos. Ela é belamente interpretada por Lady Gaga, em um papel desafiador para a mesma.

O trabalho como ator e diretor simultaneamente faz Cooper entrar em um hall diferenciado, que contém Charles Chaplin, Clint Eastwood, Orson Welles, mas também tem Sylvester Stallone e Tommy Wiseau, cineastas e artistas muito diferentes entre si, dignos de elogios e críticas. No entanto, nem era essa a maior dúvida que pairava sobre o seu filme e sim como seria o desempenho de Gaga em um papel sério e de protagonista. A personagem Ally parecia realmente ter sido feito para si, sua trajetória por mais fantasiosa que aparente se torna crível graças não só ao desempenho dela, mas também a química de casal dela com Cooper, eles realmente parecem apaixonados em cada minha manifestação amorosa.

No entanto, o roteiro tem uma carga melodramática forte demais, que funcionava bem nos anos 30, 50 e 70, décadas essas das outras versões dessa história, mas em 2018 soa bastante piegas. Nasce Uma Estrela não é um musical, mas guarda bastante semelhanças com o formato, ao mostrar a jornada que começa com um flerte tímido , evolui para um apaixonar gradativo e o compartilhamento da mesma paixão a arte musical. A ordem dos fatos soa um pouco apressada as vezes, mas também contém um tom poético e idílico que por mais que pareça forçado, ainda carregam um lirismo que aproxima a obra de um evento mágico.

O modo como o texto trata de questões espinhosas como vaidade, depressão e inveja é bem maduro, mesmo que o melodrama impere em alguns muitos pontos das mais de duas horas de duração do filme. Não é só a relação com sua amada que é destrutiva, mas também com o personagen de Sam Elliot, seu irmão mais velho e fonte de inspiração para a carreira como intérprete musical e compositor.

O modo como Cooper atua é um bocado caricato, ainda mais se colocado em perspectiva ao que Gaga apresenta. A voz grossa que faz lembra o mesmo tom grave de Jeff Bridges, bem como sua aparência, com cabelos e barbas grandes como o visto em Coração Louco, mas fora esse nível superficial, a entrega dele ao fazer um personagem auto destrutivo faz muito sentido, e ganha força quando ele aparece ao lado de sua protagonista. Tal qual Evita se utilizou de Madonna para ganhar notoriedade, Nasce Uma Estrela não seria algo alem do comum se não fosse Gaga e sua entrega completa ao papel que parecia ser destinado a si até mesmo antes do seu nascimento, além é claro de mostrar uma história que consegue demonstrar de forma equilibrada como uma reação de personagens muito parecidos ocorre, tanto na ânsia pelo mesmo sonho, como na relação amorosa e na fogueira de vaidades.

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