Crítica | Natal Sangrento

O pequeno Billy, junto de seus pais e irmão, visita o avô em um hospital psiquiátrico. Debilitado, o velhinho não consegue falar. Mas quando apenas o pequeno Billy está na sala, ele, de repente, começa a falar. Diz coisas sobre o Papai Noel, que ele fará coisas terríveis com as crianças que forem travessas (no original, “naughty”, palavra muito recorrente neste filme). E convenientemente, ao viajarem de volta para casa, à noite, encontram um carro parado no meio da estrada. Papai Noel! Billy diz para seguirem em frente, mas o pai acaba parando carro para ver se o homem vestido de Bom Velhinho precisa de ajuda. Ele puxa uma arma e aponta para o pai. Imediatamente, acelera o carro tentando fugir, mas o “Papai Noel” acerta um tiro e mata o pai.

O carro sai da pista e pára. O bandido também mata a mãe após resistir à tentativa de estupro. Billy corre e se esconde. Seu irmão, um bebê, permanece no carro. Billy vê Papai Noel segurando um canivete com o sangue de sua mãe, e aquela imagem marcará sua vida para sempre. Ele e seu irmão são levados a um orfanato, e esse fantasma do passado irá assombrar Billy da pior forma possível.

Natal Sangrento (Silent Night, Deadly Night, no original) é  um filme slasher de 1984 onde o assassino é o protagonista. Na primeira metade do filme, vemos Billy em três momentos de sua vida: aos cinco anos (quando presencia o assassinato dos pais), aos oito anos no orfanato e aos dezoito anos em seu emprego. É interessante salientar que o filme se esforça para demonizar ao máximo a figura de Papai Noel, o Natal em si e as tradições religiosas. O orfanato é liderado por freiras, onde a Madre Superior é mostrada como uma tirana. Não bastasse mostrar símbolos de Natal numa ótica sinistra, o filme ainda mostra uma freira fazendo sexo. O tom blasfemo do filme é, talvez, seu ponto mais forte.

Na segunda metade do filme, vemos como Billy se tornará um assassino serial devido a seu trauma de infância. Se por um lado ele é mostrado como uma pessoa muito boa, suas perturbações acabam o levando para o caminho da psicopatia. E claro, de forma bem súbita, sem grandes aprofundamentos no psicológico de Billy, afinal estamos falando de um belo exemplar do cinema trash.

Billy vira uma máquina de matar, com andar e fala robóticos, repetindo à exaustão “naughty” e “punish”, e a péssima atuação de Robert Brian Wilson contribui para o fator diversão. É caricato, é bobo, é divertido. Afinal, quem espera seriedade num filme destes precisa rever seus conceitos. A sucessão de mortes são gore e bem esdrúxulas, aumentando a boa-baixa qualidade de Natal Sangrento.

Não há muito o que destacar na parte técnica do filme. Este é o segundo trabalho de Charles E. Sellier Jr. e fez algo bom dentro da qualidade que se propõe. O elenco é de mediano pra baixo e o roteiro… é essa coisa descrita acima.

Natal Sangrento é um bom filme para passar o tempo. Nada muito extraordinário, apesar de algumas boas ideias, como mostrar o protagonista-assassino em três idades diferentes, a ótica macabra dos elementos natalinos e algumas mortes criativas. Se quiser uma sugestão, ao invés de assistir a este filme, assista à sequência, Natal Sangrento 2, que, da maneira mais trapaceira possível, gasta metade de seu tempo contando e mostrando cenas deste primeiro filme. Só que sua continuação é uma versão muito mais trash, com momentos épicos de canalhice, mortes babacas e atuações deliciosamente ruins. Você poupa seu tempo e se diverte em dobro!

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