Crítica | #NinfaBebê

O filme #NinfaBebê começa com uma filmagem amadora, pela câmera vertical do celular, utilizando de uma filmagem bem primária para introduzir sua personagem principal, Cibele (Dandara Adrien) uma menina linda, com a sexualidade aflorando e que adora se exibir para os conhecidos (e desconhecidos) em suas redes sociais. Uma das frases publicitárias do filme é relacionada a Curtir e ser Curtido e de fato esse é um bom lema sobre o que se mostra no longa de Aldo Pedrosa.

A obra é toda filmada em Uberaba, Minas Gerais, e Cibele vive com seu pai, que é músico e vai viajar. Ela decide curtir o fim de semana com sua amiga Daiana (Giovanna Almeida), uma menina um ano mais nova que ela, bebendo, ficando acordada até tarde e quem sabe, ter alguma experiência sexual pioneira. Enquanto a Ninfa Bebê é atrevida e super positiva, a outra menina é tímida, inexperiente e não sabe nada da vida.

Cibele provoca as pessoas que acessam as plataformas onde se exibe, dançando de maneira lasciva, chupando pirulitos de coração, fazendo basicamente o papel de ninfeta, com a alcunha que dá titulo ao filme. Nesse ponto se percebe uma das críticas que o roteiro de Pedrosa faz, não só da superexposição que alguns  jovens tem, como também a futilidade que ocorre com as pessoas que sentem a necessidade de expor toda a sua vida e intimidade na internet, documentando cada pedaço de sua existência, mesmo sendo ela vazia de conteúdo, e isso é estabelecido no roteiro, sem grandes julgamentos morais.

O filme quase não tem personagens além das duas meninas. Uma das personagens que aparecem é a ex do pai de Cibele, chamada intimamente de Dedé (Rita Monteiro), uma mulher amargurada por ter sido rejeitada pelo pai da personagem-título. A interação dela com a protagonista mostra o quão falsa a menina pode ser. Alguns diálogos primam por uma artificialidade gigante e isso conversa demais com a mesma falsidade vista nas postagens típicas das redes sociais onde as good vibes imperam até sobre a verdade. Nesse ponto, Pedrosa destila todo seu veneno sobre a geração atual, trazendo isso à tona através de seu exercício de linguagem. É nessa intenção que ocorre uma interação muito antiga entre as meninas, mas que incrivelmente ainda tem popularidade entre jovens, que é o jogo Verdade ou Consequência, estabelecido ali como desculpa para desenvolver um modo das meninas confessarem coisas umas para as outras. Entre uma dose e outra, a protagonista quase assume que já pensou em matar alguém.

A busca por atenção a qualquer custo tem seus custos, e o duro preço da modernidade superexpositiva ocorre com uma obra do acaso, que serve de espiação dos pecados cometidos por ela. Apesar de falar sobre tais temas, o texto de Pedro não expõe muito, as informações sobre o passado das personagens ocorre gradativamente por meio de diálogos. As grosserias trocadas e agressividade acumulada entre as meninas tornam o filme engraçado, beirando o hilário, não é incomum ver a platéia rindo e isso de modo nenhum faz a história soar desimportante. O tempo todo as garotas flertam com o perigo e com a violência. O filme é repleto de humor negro, sarcasmo e uma comédia escatológica. Até as manifestações sinceras, como o confessar de Daiana aos vídeos que a ninfeta insiste em gravar no seu celular são repreendidos, tudo deve parecer falso, como são as postagens nas redes compartilhadas.

O final super violento faz a sensação de fim do mundo se maximizar, e mesmo não sendo uma saída perfeita, esses acontecimentos servem para mostrar o cinismo e frieza de pensamento da personagem principal, colocando isso como a principal característica de seu ser, mesmo quando trava contato com a polícia. #NinfaBebê surpreende por ter uma linguagem tão sofisticada mesmo sendo tão simples, é divertido, entretém e tem uma abordagem bastante inteligente e jovial.

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