Crítica | #NinfaBebê

O filme #NinfaBebê começa com uma filmagem amadora, pela câmera vertical do celular, utilizando de uma filmagem bem primaria para introduzir sua personagem principal, a Cibele executada por Dandara Adrien é uma menina linda, com a sexualidade aflorando e que adora se exibir para os conhecidos e para desconhecidos em suas redes sociais. Uma das frases publicitarias do filme é relaciona a Curtir e ser Curtido e de fato esse é um bom lema sobre o que se mostra no longa de Aldo Pedrosa.

A obra é toda filmada em Uberaba, Minas Gerais e Cibele (também chamada de Ci) vive com seu pai, que é músico e vai viajar. Ela decide curtir o fim de semana com sua amiga Daiana (Giovanna Almeida), uma menina mais nova que ela um ano, de apenas 16 anos para beber, ficar acordada até tarde e quem sabe, ter alguma experiência sexual pioneira. Enquanto a NinfaBebê é atrevida e super positiva, a outra menina é tímida, inexperiente e não sabe nada da vida.

Ci provoca as pessoas que acessam as plataformas onde se exibe, dançando de maneira lasciva, chupando pirulitos de coração, fazendo basicamente o papel de ninfeta, com a alcunha que dá titulo ao filme. Nesse ponto se percebe uma das criticas que o roteiro de Pedrosa faz, não só da super exposição que alguns  jovens da geração Y tem, como também a futilidade que ocorre com as pessoas que sentem a necessidade de expor toda a sua vida e intimidade na internet, documentando cada pedaço da existência que elas tem, sendo essa existência  vazia de conteúdo ou não, e isso é estabelecido no roteiro sem cizudes ou algo que o valha, não há um enorme julgamento de valor ou moralidade estabelecido.

O filme quase não tem personagens fora as duas meninas. Uma das personagens que aparecem é a ex do pai de Cibele, chamada intimamente de Dedé, vivida por Rita Monteiro, uma mulher amargurada por ter sido rejeitada pelo pai da personagem titulo. A interação dela com Ci mostra o quanto falsa a menina pode ser, uma vez que ela finge que gosta de sua antiga madrasta, mesmo tendo armado para ela. Aqui também se percebe o desprezo dela por qualquer tradição, conservadorismo ou sentimentos comuns a todos, quando ela declara que motivo da separação ter ocorrido foi conta de coisas bregas e monogâmicas, isso dito sem qualquer pudor de parecer ou não uma impudica, até porque ela não busca aceitação da amiga, e sim o inverso, é Daiana que a admira.

Alguns diálogos primam por uma artificialidade gigantes e isso conversa demais com a mesma falsidade vista nas postagens típicas das redes sociais onde as good vibes imperam até sobre a verdade. Nesse ponto, Pedrosa destila todo seu veneno sobre a geração atual, trazendo isso à tona através de seu exercício de linguagem. É nessa intenção que ocorre uma interação muito antiga entre as meninas, mas que incrivelmente ainda tem popularidade entre jovens, que é o jogo Verdade ou Consequência, estabelecido ali como desculpa para desenvolver um modo das meninas confessarem coisas umas para as outras. Entre uma dose e outra, a protagonista quase assume que já pensou em matar alguém.

A busca por atenção a qualquer custo tem seus custos, e o duro preço da modernidade super expositiva ocorre com uma obra do acaso, que serve de espiação dos pecados cometidos por ela, entre esses atos maus, a exposição de um vídeo intimo de uma colega, que quase se suicidou. Apesar de falar sobre super exposição o texto de Pedro não expõe muito, as informações sobre o passado dos personagens ocorre gradativamente, através dos diálogos, e é jeito que se percebe a fatalidade que ocorreu com a mãe de personagem principal, e também se ratifica o ódio da garota com dramalhões, já que ela rejeita o consolo de sua amiga.

As grosserias trocadas e agressividade acumulada entre as meninas tornam o filme engraçado, beirando o hilário, não é incomum ver a platéia rindo e isso de modo nenhum faz a historia soar desimportante. O tempo toda as garotas flertam com o perigo e com a violência, quando uma adormece, a outra passa um punhal pelo corpo da amiga, e isso evolui com o tempo.

Após um momento de interação com um rapaz que lhe traz droga, Cibele dança sensualmente e acaba caindo, por estar chapada. O sujeito tenta se aproveitar dela, e no desespero para se desvencilhar disso, ela acaba cometendo um crime, que aparentemente acontece pelo calor do momento, ainda que sua reação claramente seja fria, onde o que impera é o humor negro, o sarcasmo e uma comédia escatológica. Até as manifestações sinceras, como o confessar de Daiana aos vídeos que a ninfeta insiste em gravar no seu celular são repreendidos, tudo deve parecer falso, como são as postagens nas redes compartilhadas.

O final super violento faz a sensação de fim do mundo se maximizar, e mesmo não sendo uma saída perfeita, esses acontecimentos servem para mostrar o cinismo e frieza de pensamento da personagem principal, colocando isso como a principal característica de seu ser, mesmo quando trava contato com a policia. #NinfaBebê supreende por ter uma linguagem tão sofisticada mesmo sendo tão simples, é divertido, entretém e tem uma abordagem bastante inteligente e jovial.

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