Crítica | Noite e Neblina

Filmado na cidade de Auschwitz, após a Segunda Guerra Mundial, Noite e Neblina é um filme de Alan Resnais, lançado em 1955. Seu começo passa por campos coloridos, imagens de um lugar bonito, mas que abrigou muita dor e sofrimento. É curioso como o curta, de aproximadamente 30 minutos de duração seja conduzido pelo proeminente diretor francês, contemporâneo claro da ocupação nazista na França. O uso das imagens de terceiros ressaltam o horror que predominou na Europa e a perseguição irrestrita aos diferentes, entre eles aos judeus, tratados como escória pelos arianos.

O uso da trilha sonora antecipa emoções, e as tomadas inéditas feitas ao redor dos campos são realizadas a noite, sobressaindo a beleza existente no local pela fotografia cuidadosamente pensada, mesmo que seu passado não condiga com esta abordagem. Resnais trabalhou neste filme principalmente para associar a culpa alemã ao holocausto. Mesmo com o julgamento de Nuremberg, com as punições severas ao país, havia a preocupação em denunciar a ideologia nazista para não permitir que ela se alastrasse mesmo depois do fim da guerra, e esses esforços além de justos, fazem sentido, afinal a ideologia nazifascista encontra ecos até hoje.

As cenas finais de Noite e Neblina abrem mão de qualquer pudor, mostrando cenas de tratores movendo corpos de mortos dos campos de concentração, homens e mulheres nus, quase sem carne em seus músculos, pessoas dessexualizadas e desprovidas até de aspectos de aparência humana graças a falta de alimento a que eram submetidas. Em alguns pontos, os corpos estendidos fazem lembrar o gado abatido que é vendido em açougues, mas sem qualquer saúde dada a condição paupérrima em que estavam. Resnais tenta poetizar seu filme, mas sem tirar o peso do terror que os judeus e outros grupos sofreram naqueles anos da perseguição alemã, fazendo relembrar sempre o que aconteceu ali para que nunca mais se repita.

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