[Crítica] O Albergue 2

O Albergue 2 A

Lançado dois anos após o sucesso original da franquia – e estabilizando ainda mais a Lionsgate como casa de bons filmes de terror – O Albergue 2 marca o retorno de Eli Roth ao sanguinolento mundo estabelecido em 2005, mostrando já no início os eventos recorrentes da parte original, igualmente “apresentada” por Quentin Tarantino, que faria do jovem cineasta seu pupilo.

Paxton (Jay Hernandez) retorna a narração dos fatos, ainda no trem que o levaria para a fuga do inferno em que ele e seus amigos se meteram. As marcas dos abusos que sofreu são vistas não somente na lembrança dos assassinatos, mas também em seus dedos decepados pelos açougueiros com tatuagens de cães na mão, unicamente para demonstrar o seu sonho recheado do terrível trauma que teve.

Após discussões bobas, a câmera retorna às paragens europeias, focando em um novo grupo de protagonistas, uma reunião de belas mulheres amantes de arte, que se diferenciam em conteúdo dos estudantes fúteis ao estilo Euro Trip do primeiro. Whitney (Bijou Phillips), Lorna (Heather Matarazzo) e Beth (Lauren German) são pintoras, que, ao traçar quadros nus, encontram a modelo Axelle (Vera Jordanova), a qual, com toda sua lábia e sedutora figura, faz convidá-las para o mesmo hostel, para as mesmas situações, ganhando a confiança delas de modo muito suspeito, evocando segurança e bissexualidade.

A narrativa segue igual, com doses menores de erotização explícita em um primeiro momento, por se tratar de personagens mais maduras e de backgrounds diferentes, não negando evidentemente seus apetites sexuais, mas que têm as manifestações de líbido em algo mais tímido e contido. A virada rumo ao gore acontece bastante tardiamente, quase na metade da duração total.

No entanto, a liberação da violência é muito mais sanguinolenta já nas primeiras cenas de execução, reforçando o ideal de sexualização sacrossanta com doses cavalares de homoafetividade feminina, bem ao modo Súcubo, exatamente como visto em tantos fetiches masculinos.

O cenário de torturas é mais variável, ainda que recorra ao ambiente “familiar” da franquia e tenha na heroína uma figura de ação muito mais enérgica do que Paxton; Beth consegue sair praticamente limpa de sua sessão, em uma cena curiosa que inverte por completo o paradigma estabelecido, além de garantir um momento de humor escrachado, conseguindo resgatar, em seu desfecho, uma faceta mais original.

O argumento obviamente retoma semelhanças ao roteiro de O Albergue, por ser toda a equipe criativa reprisada no capítulo segundo. Mas a fita consegue ter uma identidade própria, transpirando unicidade mesmo em se tratando de uma continuação. O Albergue 2 consegue fugir da mediocridade comum as demais continuações atuais, com momentos até mais inspirados do que o original, aumentando o escopo de discussão ácida, fazendo anedotas com outros tantos grupos que discutem a hipocrisia, mas que vez por outra caem sobre esta.