Crítica | O Assassino: O Primeiro Alvo

Dylan O’Brien tem se notabilizado por papéis em produções voltadas para o público teen. Protagonista de Maze Runner e parte do elenco da série de TV Teen Wolf, O’Brien nunca realmente se provou dramaticamente até Horizonte Profundo, produção onde defendeu seu papel com competência. Parecia temerário confiar um papel de protagonista de um filme que claramente se estabelece como a primeira parte de uma franquia ao jovem ator, porém, sua escolha para estrelar este O Assassino: O Primeiro Alvo foi uma boa aposta. Apoiado pelo grande Michael Keaton, Dylan foi mais uma vez competente. A questão é que o filme padece de graves problemas.

Na trama, o O’Brien interpreta Mitch Rapp, um jovem cuja vida muda completamente após sobreviver a um ataque terrorista em que sua noiva é executada na sua frente. Rapp então inicia uma empreitada individual contra o terrorismo, entrando de cabeça no mundo dos radicais que perpetraram o ataque que tirou a vida da sua amada. Entretanto, após ser observado e ver suas pretensões frustradas no momento que iria consumar sua vingança, ele acaba sendo recrutado pela CIA. Antes, porém, ele será treinado pelo veterano Stan Hurley (Keaton) para que se torne uma verdadeira arma contra o terrorismo.

Baseado no livro American Assassin de Vince Flynn, o roteiro escrito por Stephen Schiff, Michael Finch, Edward Zwick e Marshall Herskovitz padece de criatividade. Tudo tem uma sensação de dèja vu. O treinamento do protagonista, seu relacionamento com seu mentor, a maneira burocrata de agir da CIA, os plot twists e motivação final do vilão, tudo parece ter sido retirado de outras produções do gênero e amontoado na tela. Pra não dizer que tudo é ruim e genérico, os primeiros minutos do filme, mais precisamente do ataque terrorista ao momento que Mitch encontra com os terroristas que cometeram o ataque, são até bem interessantes e produzem bastante curiosidade. A coisa degringola a partir do momento em que ele é recrutado. Ajuda pouco a direção nada inspirada de Michael Cuesta. Em alguns momentos, ele até se sai bem em algumas sequências de luta. Porém, a regularidade não se mantém, pois ele acaba filmando de forma genérica a maioria das sequências. O diretor tenta emular Doug Liman e Paul Greengrass e seus trabalhos na saga de Jason Bourne, mas não consegue o mesmo sucesso. Um outro ponto positivo do filme é mostrar dois iranianos gente fina, ao contrário de produções que retratam todos como potenciais lunáticos terroristas.

No que tange ao elenco, Dylan O’Brien defende bem seu papel, ainda que sua cara de moleque incomode um pouco. Isso se dá muito pela escolha do visual do personagem. É uma coisa meio hipster, meio Justin Bieber. Não funciona bem em um filme de espionagem, mas o empenho de O’Brien ajuda a superar esse problema. Keaton está competente como o habitual, ainda que seu papel seja o genérico “mentor durão que gosta de esculhambar o novato”. Keaton o interpreta no limite do sadismo, dando vazão a uma face levemente sadomasoquista durante uma cena de tortura. Chega a ser bem divertido. Shiva Negar se empenha e confere credibilidade à agente secreta iraniana designada para atuar junto do protagonista Mitch Rapp, enquanto Sanaa Lathan faz o básico enquanto a chefe quase maternal dos personagens de Keaton e Dylan, enquanto Taylor Kitsch não funciona nada como o grande vilão da trama. Além do personagem ruim, Kitsch limita-se a fazer caretas e bicos, como se isso demonstrasse alguma forma de ameaça.

Enfim, poderia até ser um bom passatempo para um dia chuvoso em que se está sem muita paciência para escolher o que assistir. Porém, seu roteiro totalmente sem imaginação e sua execução sem inspiração o tornam mais uma produção que tinha potencial, mas que é somente uma tentativa frustrada de formar uma franquia.

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