Crítica | O Cavaleiro Solitário

pale rider

Em 1985, Clint Eastwood dirige seu terceiro western, O Cavaleiro Solitário, àquele que é considerado por muitos como o irmão gêmeo de O Estranho Sem Nome, com suas devidas ressalvas. Afinal, ambos os protagonistas são seres “sobrenaturais” que retornam dos mortos por um plano maior, enquanto um parece saído do inferno, o outro parece enviado do céu.

Dois filmes que possuem personagens movidos por um mesmo ideal, por um objetivo em comum, enquanto um deles busca somente a vingança, o outro a está evitando, buscando uma forma de redenção que parece não vir nunca. Os personagens têm suas similaridades mas suas motivações são completamente opostas, assim como os dois lados de uma mesma moeda.

Na trama, conhecemos Coy LaHood (Richard Dysart), um empresário de uma corporação que explora minas a procura de ouro no Norte da Califórnia. Em defesa dos seus interesses, ele quer a todo custo expulsar os mineiros da região em busca do domínio absoluto. Quando tudo parecia perdido, surge um Cavaleiro Solitário (Eastwood) que se denomina apenas como O Pregador e parece pronto para ajudar essa comunidade de mineiros, custe o que custar.

Clint Eastwood interpreta esta figura solitária de poucas palavras, que surge em seu seu cavalo não se sabe bem de onde, trajando uma batina. Suas emoções são transmitidas através de seus gestos, cada cena em tela é preenchida com seus olhos, rosto na sobra e canto de boca. A figura do cavaleiro solitário dos westerns clássicos que Eastwood fez questão de homenagear aqui. Apesar do que já foi falado acima, o filme é sutil e não escancara nada, apenas deixa a possibilidade de que o personagem seja um ser sobrenatural que volta do túmulo para confrontar quem o assassinou, um cavaleiro pálido (Pale Rider) que representa a morte.

A fotografia do filme remete diretamente aos westerns tradicionais, algo que Clint fez questão de trazer à tona em pleno anos 80. O personagem de Eastwood quase sempre é fotografado com uma iluminação forte, que exige um esforço para vê-lo, sugerindo todo ar misterioso que o personagem tem. O roteiro e a narrativa do diretor vão preenchendo cada plano com perfeição sem soar gratuito ou desnecessário, seja as cenas que contribuem para a construção de uma comunidade ou da própria figura mítica do cavaleiro solitário.

O filme erra em mostrar momentos chave em que colocam em xeque a figura desse cavaleiro, cenas que poderiam ter sido cortadas, pois atrapalham na abordagem quase lúdica que o filme tem em vários momentos. Além disso, na época de seu lançamento, muitos críticos argumentavam que esse tipo de história já tinha sido contada diversas vezes (Os Brutos Também Amam e tantos outros). O fato é que são poucos os diretores que souberam colocar suas assinaturas da maneira que Clint fez, ao expor todas as sutilezas que esse tipo de história deveria ter. O Pregador é um personagem ambíguo e distante dos maniqueísmos dos filmes do gênero. Está aí a grande sacada do filme.