Crítica | O Estranho Mundo de Jack

Animação não-convencional dos estúdios Disney, O Estranho Mundo de Jack reúne elementos dos personagens criados por Tim Burton que habitam uma cidade temática de Halloween para contar uma história musical sobre o feriado natalino. Henry Selick se vale de efeitos comuns em duas dimensões e um bocado de stop-motion para introduzir esse novo universo, que apesar de ter momentos interessantes para as crianças, também reúne elementos típicos dos filmes de terror clássicos.

Em meio a criaturas fantasmagóricas, lobisomens e toda sorte de outros mortos-vivos, se apresenta Jack Skellington, dublado por Chris Sarandon. O jovem esqueleto se mostra enfadado de todo ano preparar todos os eventos apenas para a comemoração do Halloween em outubro, até que em meio as suas cantorias – protagonizadas pela voz do compositor Danny Elfman, que também dubla outros personagens – Jack decide se aventurar pela floresta em busca de novas experiências.

Trazer o natal as criaturas monstruosas tem um preço, de quase descaracterização de todo o cenário gótico existente. Apesar de não haver muita complexidade nos personagens, há um conflito válido entre os que não entendem o intuito de Skellington. O desenrolar dos fatos pós-decisão de levar à frente o natal é engraçado e grotesco na medida certa, brincando inclusive com o conceito de susto infantil, uma vez que os presentes macabros que Jack distribui assusta os adultos, e não as crianças que consideram cabeças decepadas e restos mortais como objetos comuns.

Quando foi lançado, a Disney ficou com medo de ter sua marca associada a uma criatura tão horrenda quanto o protagonista, e por isso colocou o filme no selo da Touchstone, mais tarde mudando isso, trazendo o personagem para o seu hall da fama, como era merecido. O final de O Estranho Mundo de Jack remete ao resgate às origens e retorno ao status quo, basicamente para referenciar a necessidade de se preservar sua própria essência. A demora com que isso ocorre é válida para que se valorize o que acontece consigo, e a tradução que Michael McDowell faz a partir do poema de Burton ajuda a detalhar e enriquecer a história, apresentando um conjunto de eventos que faz valer sua atmosfera tragicômica.

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