[Crítica] O Gigante de Ferro

Brad Bird é um dos diretores mais bem quistos em Hollywood, em especial no circuito comercial, e certamente O Gigante de Ferro foi o produto primordial para essa boa aceitação de seu cinema. O longa-metragem de 1999 é narrado a partir da vivência do menino Hogarth Hughes (Eli Marienthal), que vive nos anos cinquenta e que tem um olhar bastante inocente e sonhador a respeito da turbulenta situação sócio político e econômica pela qual passa o mundo, com a corrida espacial a pleno vapor e acirrando os ânimos entre Estados Unidos e soviéticos.

A carência do menino, que mora apenas com a mãe faz ele querer desesperadamente ter um animalzinho de estimação, para lhe fazer companhia nas noites vazias. A curiosidade do rapaz o faz explorar a parte florestal do Maine, onde ele encontra uma criatura robótica enorme, de origem desconhecida, que mistura em si elementos visuais distintos, primeiro com notáveis semelhanças aos filmes de monstros da Universal, no tocante a atitude e a musica da trilha, além de obviamente tocar no assunto do atomic horror, tema recorrente no clássico. Mais tarde, se nota também uma influência dos seriados tokusatsus, na confecção e design do ser agigantado.

A figura de Sean (dublado por Vin Diesel) rapidamente faz ganhar a simpatia de Hogarth, que começa a entende-lo como um ser amigável e não bélico. O roteiro de Tim McCanlies e Brad Bird (baseado no livro de Ted Hughes) prima pela simplicidade dramática, que utiliza da inocência juvenil para vociferar contra o preconceito, ao mesmo tempo em que faz um comentário sobre as dificuldade de driblar a natureza, já que o robô age de maneira hostil quando vê um armamento.

Como era de se esperar, levando em atenção os anos cinquenta e a recente guerra mundial que ocorreu contra o Eixo nazi-fascista, o exercito americano passa a perseguir o ser extra-terrestre, primeiro através do relato do agente Kent Mansley (Christopher McDonald), um sujeito paranoico, arredio e desconfiado, um retrato do cidadão médio americano em tempos de conflitos da Guerra Fria, depois passam a querer destruir Sean  com todo o armamento aéreo e terrestre possível. A reação do robô é a de fugir e evitar o confronto, uma vez que ele percebe ter sentimentos e sensações fortes o bastante para não querer travar guerra com os homens.

Após perceber estar sozinho  o gigante larga seu intuito pacifista, já que pensava ter perdido a única pessoa que o compreendia como ele era e que julgava além exterior. A percepção de que não é possível negar a própria natureza revela uma trama ainda mais adulta do que o pressuposto pelo público, além de pavimentar a história rumo aos emocionantes acontecimentos finais, onde finalmente o gigante se assume como um herói, indo em direção ao sacrifício, se entregar para que seu amigo não perecesse. O Gigante de Ferro ainda possui algumas cenas antes de se encerrar, deixando um restante de esperança, relembrando o escapismo típico dos filmes infantis, sem descuidar das mensagens adultas, que serviriam para pavimentar o futuro da Pixar Animations e demais animações que fariam sucesso por volta das décadas de noventa e 2000, junto a Toy Story e outros.