Crítica | O Homem Que Quis Matar Hitler

Clássico de 1941, como parte do esforço hollywoodiano contra a Segunda Guerra Mundial, O Homem Que Quis Matar Hitler é um longa de Fritz Lang, que começa silencioso, com  um homem, que é chamado de  Thorndike (Walter Pidgeon) no meio da floresta, aprontando sua arma escondido, mirando na cabeça do Fuhrer, isso tudo ocorrendo sem que haja qualquer barulho, música ou som que não seja o que é produzido pela arma ou pelo ato de carrega-la com munição. Ele é impedido, por um guarda nazista, que  tenta espancar ele, e o que se vê  nos 105 minutos de filme é uma investigação sobre o caso.

O roteiro de Dudley Nichols, baseado no livro Man Hunt de Geoffrey Household explora a partir dali toda uma discussão e estudo para descobrir quem poderia ter sido o mandante da tentativa de assassinato, e o capitão Thorndike vira obviamente testemunha chave do caso. Ao ser indagado sobre seus motivos, ele é bastante evasivo, diz que só pratica tiro a distância. O objetivo da policia nazista é associar a tentativa de alvejar o austríaco com um ato do governo britânico, mas eles não conseguem.

Um pouco diferente do visto em Os Carrascos Também Morrem, aqui ainda há um julgamento mais tímida da figura de Adolf Hitler, embora, pela boca de Thorndike saiam impropérios mais pesados, igualando ele a um megalomaníaco com complexo de Cesar. Há um cuidado especial em sempre apresentar opiniões controversas  pela boca dos personagens que não tem qualquer desejo de parecer isentos, dessa forma, caso Lang ou qualquer membro da produção fosse enquadrado em terras germânicas, poderiam afirmar que aquelas posturas eram individualizadas por personagens ficcionais, e estariam certos, embora pensassem da mesma forma.

Há espaço é claro para um romance bobo e água com açúcar, que toma boa parte da duração do longa. A tentativa de humanizar os personagens é válida, mas são nas conversas sobre as intenções políticas de Torndike que moram as maiores provas de que ele é destrutível e falível. Toda a conversa que ele tenta passar, afirmando que não tentou matar o líder nazista e que só estava mirando por uma curiosidade esportiva de caça não faz qualquer sentido, mesmo em uma época onde a malícia não era tão escancarada quanto no século XXI. A paranoia da Guerra não permite isso, ainda mais em um país onde impera o reacionarismo e o autoritarismo da extrema direita. O povo está o tempo todo tenso, assim como as autoridades e os militares, não há como driblar isso, nem ludibriar o senso comum neste sentido.

A tensão é guardada para os momentos finais, onde o herói da jornada é enquadrado por um vigilante defensor do partido nacional socialista, que não crê na inocência do mesmo, e finalmente tem coragem o suficiente para encarar ele. Após um combate que apesar de comedido em violência, é carregado de significado, mostrando um homem acuado contra outro que tem toda a chance de matá-lo, e ainda assim tendo algum tipo de soberania.

O final de O Homem que quis matar Hitler é pontuado com chamadas de propagandas de chamadas de guerra de cunho anti nazista e contra o Eixo, mostrando o personagem principal despertando e se preparando para a guerra, cumprindo as suspeitas de que seu ato foi sim um manifesto bélico. As sutilezas que Lang impõe em seu filme tem um cuidado e um acuro enorme, as precauções em não parecer explícitos são justas e servem bem ao espectador atual que quer  entender como funciona a cultura em tempos de extremismo, como o cinema pode e deve comunicar com o povo, com os que formam as nações e com a aldeia global, uma vez que a sétima arte tem um caráter universal muito forte.

Facebook – Página e Grupo | TwitterInstagram | Spotify.