[Crítica] O Jabuti e a Anta

Jabuti e a Anta

Eliza Capai usa o poder que tem como cineasta e contadora de histórias para denunciar uma questão importante, usando o tema da seca em São Paulo como o ponto de partida. O Jabuti e a Anta varia entre as imagens do vazio dos reservatórios do sudeste brasileiro e a investigação das causas disso, indo até os rios Xingu, Tapajós e Ene, presentes no meio da Floresta Amazônica.

O documentário se auto-intitula um boat movie, já que se vale da estética dos road movies, registrando grande parte das imagens com a câmera em cima de um barco. A reflexão do filme se baseia também na descrição dos ribeirinhos, que vivem suas vidas e as de sua família no leito desses rios. Para quem tem a mínima sensibilidade, é impossível não se comover com os relatos, não só em relação a sujeira terrível que invade a paisagem e a casa dessas pessoas simples, mas também nas consequências ecológicas de cunho irreparável.

O desmatamento influi nas chuvas, a poluição da água faz com que os peixes fiquem mais raros e esse cenário influi na alimentação das pessoas e na sua principal fonte de sustento. O roteiro condena a face dura do capitalismo, que tem na predação o seu norte e que não vê qualquer necessidade fora o lucro. O ser urbano destrói o habitat, ignorando as necessidades que não lhe convém.

O Jabuti e a Anta está longe de ter uma abordagem perfeita, mas ousa bastante ao apresentar as informações de modo dramático, inserindo emoção em cada segmento, fortificado por uma narração intervencionista de Letícia Sabatella. A função de estabelecer a voz para quem não é capaz de falar por si só, já que os holofotes estão longe dessa faceta do povo brasileiro.

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