Crítica | O Justiceiro (1989)

Muito antes da iniciativa de se tentar traduzir os personagens mais conhecidos da Marvel para o cinema, e apenas três anos após a estréia do personagem em revista solo, O Justiceiro de Mark Goldblatt talvez tenha sido uma das adaptações mais fiéis de sua época, claro, guardadas as devidas proporções. Para o papel de protagonista, Dolph Lundgren se encarregaria de interpretar o anti-herói da Marvel.

O cenário de caos e extrema violência faz lembrar a Detroit de Robocop, de Paul Verhoeven. Goldblatt também utiliza algumas referências visuais e narrativas, em especial os telejornais contando a história por trás da chacina realizada pelo Justiceiro. Logo, o policial Jake Berkowitz (Louis Gossett Jr.) percebe algumas semelhanças do método do assassino com seu antigo parceiro, que vem a ser o próprio Frank Castle, mas ele se nega a acreditar em tal possibilidade. Apenas com a chegada de um elemento externo, a novata Detetive Sam Leary (Nancy Everhard), que Castle passa a ser investigado.

Há muitas semelhanças desta versão com outros filmes heroicos da época. Ele tem um pouco do cinismo do Batman, de Tim Burton, além da violência gráfica já mencionada. O maior problema de O Justiceiro é a falta de um rival à altura, já que a perseguição vingativa resulta em pequenas lutas com facções criminosas ítalo-americanas e japonesas.

O desfecho do roteiro de Boaz Yakin tem ótimas sugestões de legado e continuações, com uma citação de vingança entre gerações que foi inclusive rearranjada em Kill Bill. Ainda que seja muito mais barato e carente de recursos, essa versão do anti-herói é talvez a mais bem construída das traduções cinematográficas do ícone, mesmo levando a ausência da caveira em seu uniforme clássico. Acaba por ser um filme b curioso, que tenta reunir elementos dos filmes de brucutu com pitadas de quadrinhos e filmes pós-apocalípticos.

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