Crítica | O Ladrão de Bagdá

Em 1940 uma produção britânica da United Artists estreava, um filme underground baseado em lendas orientais pegava emprestado elementos visuais e místicos árabes, tendo um conto chinês como base, além de refilmar um filme homônimo de 1924. O Ladrão de Bagdá tem uma aura mística dentro e fora das telas, a obra de Ludwig Berger, Michael Powell  e Tim Whelan é conhecida não só por conta de sua historia inusual, que serviu de base para boa parte do roteiro da animação Aladdin, mas também por ser o primeiro filme de cinema a usar chroma key e fundo verde, proporcionando portanto escalas que em tela ficam bastante engraçadas.

Narrada como um.dos contos de 1001 Noites de Sherazade, o rei Ahmad aponta para seu cachorro, e diz que ele foi o jovem ladrão Abu, personagem que obviamente daria ideia do nome do macaco do heroi da Disney, mas qiw também era o pobre, destemido, com um senso de justiça enorme que vivuva na grande cidade árabe. Dentro dessa mitologia, há também o vizir real Jaffar ( Conrad Veidt dos expoentes máximos do cinema mudo, estrela de O Homem Que Ri e Laboratorio do Dr Caligari) um sujeito que usa o medo como forma de invocar poder, ganancioso, e ludibriador do poderoso mandatário do país. O caminho dos dois se cruza, na prisão, tal qual foi claramente copiado no filme de John Musker e Ron Clements.

Abu (vivido por Sabu), como um bom plebeu, reclama dos poderosos, mas não demora a se submeter a Ahmad (John Justin) quando descobre seu sangue azul, obviamente é esperto o suficiente para fingir fidelidade quando precisa. Um outro rei se aproxima, em determinado ponto da trama. Ele é obeso, usa barba grisalha e é aficionado por brinquedos, tal qual o sultão do longa animado da Disney. Ele é facilmente ludibriado por Jaffar, que deseja unir os dois reinos ao casar com a bela filha dele.

Apesar de ser essa uma historia fantasiosa, os elementos de real magia demoram a aparecer, tanto por parte do vilão, que ludibria o sultao, quanto de Abu, que encontra um gênio na garrafa. A aparição do personagem de Rex Ingram é grandiosa, ele tem a altura de una montanha, e dado que a tecnologia do chroma era embrionária, seu efeito especial é até surpreendente. O ser praticamente onipotente causa medo em seu amo. Ha aliás de se destacar o pouco maniqueísmo e a imprevisibilidade da historia, o Gênio não é mal só por conta de suas unhas longas das mãos e feias e mal cortadas dos pés , ele tenta enganar Abu o tempo todo, talvez surgindo daí a ideia do Mestre dos Desejos, franquia de terror b que já teve 4 filmes. No entanto, o ladrão é mais ardiloso e esperto, usando a experiência que teve na rua para manipular o djinn, e fazer ele o levar a um lugar cheio de tesouros se gastar um dos três desejos. Não há receio em mostrar malandragem em quaisquer personagens, bons ou maus, exceto é claro o virginal rei, mas há de se lembrar que o nome do filme remete ao fora da lei e não a majestade.

Ha alguns elementos legais que o clássico da Disney pegou emprestado, como o quase beijo da princesa no vilão, a prisão do heroi, o uso de um tapete magico (ainda que aqui haja parcimônia) e claro, a valorização real de um ladrão desafortunado até então (diamante bruto), mas Ladrão de Bagdá tem ainda mais mensagem que seu primo rico e oscarizado da Disney. Se faltam musicas, sobra adornos, e referências aos mitos da Arábia, mesmo o white washing é moderado, mesmo o famigerado final feliz é discutível, pois alem de ter uma morte violenta ao vilão, ainda tem Abu renegando o papel de calmaria na nobreza de Bagdá.

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