[Crítica] O Mestre dos Gênios

Histórias reais sempre se tornam fontes inspiradoras para a sétima arte. Uma biografia normalmente atrai uma parcela extra de público, ao mesmo tempo em que a história, por si só, possui elementos dramáticos, sendo mais fácil compor um roteiro a partir dela. Porém, o excesso de cinebiografias tem resultado cada vez mais em uma fórmula, tanto na estrutura de sua trama como no uso de cenas chave para intensificar a superação de problemas ou outros exemplos específicos.

Dirigido por Michael Grandage, estreante no cinema mas veterano nos teatros, O Mestre dos Gênios escolhe um interessante personagem como tema, o editor Max Perkings. Fundamental no processo de edição de um livro, o editor era o primeiro leitor de uma obra, aquele que selecionava a narrativa para publicação como também a pessoa que trabalhava diretamente com o autor dando uma melhor forma ao texto. Perkings, sem dúvida, é um dos editores mais famosos, principalmente, por descobrir grandes escritores como Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. Evitando a armadilha de enfocar esses dois grandes escritores e eclipsar a história central, a obra escolhe a relação entre o editor e Thomas Wolfe, um prolifico autor da época que morreu jovem demais e, consequentemente, não obteve o mesmo sucesso que seus colegas contemporâneos.

A trama percorre as personagens desde o primeiro encontro dos dois e o crescimento da amizade aliada ao trabalho constante. Como reflexos de um mesmo tema, tanto editor quanto autor sofrem com o distanciamento familiar, devido ao enfoque excessivo no trabalho, desmistificando razoavelmente a aura de que a composição literária é meramente inspiração e não excessivo trabalho dedicado.

A história articula um interesse a um personagem que, normalmente, passa despercebido até mesmo no ramo editorial, porém, sem nenhuma profundidade necessária, adequando-se a fórmula da cinebiografia. Em cena, tudo parece espetacular demais, o espaço dramático cede para cenas chave como brigas teatrais de família, a famosa cena de transição com música ao fundo em que os personagens centrais realizam seu trabalho em diversas cenas entrecortadas, para destacar o esforço da profissão. Nada, porém, parece bem encaixado como deveria.

Como personagem central, Colin Firth demonstra o talento costumeiro e, ciente de que sua beleza de galã britânico esta no passado, dedica-se a papeis maduros em interpretações equilibradas, neste caso, transpassando seu cansaço diário e sua dedicação a edição através de um olhar profundo. Jude Law, por outro lado, faz o típico papel de excêntrico, a semelhança de Thomas Wolfe original, mas sem nenhuma nuance, aproximando-se de um estereótipo exagerado.

Ainda que a relação entre ambos seja enriquecedora e demonstre parte das engrenagens invisíveis do processo editorial, O Mestre dos Gênios não consegue se destacar além da fórmula básica de uma história que apresenta um bom personagem real mas não consegue ir além da estrutura morna de diversas biografias contemporâneas.