Crítica | O Nó do Diabo

Coletânea de cinco histórias curtas, tendo em comum a temática de terror e o cenário da Paraíba, O Nó do Diabo visa mostrar histórias através de contos próximos da realidade brasileira. Os segmentos são dirigidos por Gabriel Martins, Ian Abé, Jhésus Tribuzi e Ramon Porto Mota, e giram em torno do mesmo terreno, um lugar onde nos tempos mais atuais jovens invadem para se drogar ou para transar, mas que teve uma íntima proximidade dos escravos e senhorios de séculos atrás.

O filme brinca com a  questão do jagunço racista em mais de uma linha temporal, começando na atualidade para não muito tempo depois voltar em tempos antigos, onde dois trabalhadores braçais pernambucanos vêm andando de Campina Grande até a cidade onde se situa a história, a procura de serviço. Os personagens em questão são oprimidos como se fossem escravos apesar desse trecho se passar após a abolição, os dois ficam longe da Casa Grande, e sonham com espíritos dos negros que ali habitavam e começam a sofrer com chagas, iguais aquelas que boa parte dos escravos possuíam.

Uma das idéias centrais do filme é mostrar através de sua coletânea que a realidade dos negros quase não mudou, mesmo com a abolição da escravatura. O problema é que boa parte do drama tem uma abordagem um pouco sensacionalista, não no sentindo de exagerar no flagelo dos personagens, mas sim nas ações dos homens brancos. A tentativa de transformá-los em vilões maniqueístas faz com que a maioria perca qualquer fator de humanidade, e óbvio que à luz da história os senhores de escravos eram sim mesquinhos, aproveitadores, desonestos e mal caráter, mas mostrá-los como vilões de desenhos animados não ajuda a tornar toda a trama verossímil.

Os momentos finais têm um caráter que mira a catarse, mas que esbarra em uma abordagem um tanto simplista. Não é exatamente assustadora, mas destoa de boa parte do começo do filme, o que é absolutamente lamentável. As histórias vão decaindo de qualidade e potência, de modo que ao final se perde boa parte do impacto que era a ideia original, mostrar um lugar místico devido ao de violência enraizado, e os momentos finais além de perderem fôlego, retorna demais ao passado e não se estabelece uma conexão razoável. É uma pena que O Nó do Diabo desperdice as chances que teve de ser um filme de gênero nacional realmente assustador, ficando somente na boa premissa com uma execução mediana.

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