Critica | O Peso do Passado

Cercado de expectativas por trazer Nicole Kidman em um papel diferente, em que faz uma mulher turrona e com uma maquiagem extremamente pesada – que aliás , a deixou caricata – O Peso do Passado é o novo filme de Karyn Kusama, e foca na rotina da detetive Erin Bell, da Polícia de Los Angeles, em uma trama violenta, cheia de ressentimentos e que conta com reconciliações com o passado.

A história mostra um morto, com uma tatuagem de três pontos, igual a que Erin carrega em seu pescoço. Aos poucos a trama se desdobra, mostrando o tempo em que a personagem de Kidman era jovem – e que se utiliza de outra maquiagem forte para rejuvenesce-la – agindo infiltrada na gangue de Silas (Tobin Kebbell), com outro infiltrado chamado Chris (Sebastian Stan), além de uma conturbada vida familiar, com uma relação bem distante entre ela e sua filha Shelby (Jade Pettyjohn). Erin é uma mulher traumatizada, suas relações são quase todas toxicas e pautadas pela ausência comum a si por conta da natureza de seu trabalho, e pela angústia de pessoa amargurada que ela é. Na busca por descobrir o paradeiro de Silas que, segundo ela, é o responsável pela primeira morte, ela revive os momentos de seu passado, alguns poucos doces e sonhadores, e se defronta com um presente sombrio e escuro. O filme é tão caucado nessa questão da amargura que soa quase parodial, tão distante da realidade que faz chocar o espectador, fazendo o tempo todo ter a sensação de estar lendo um Thriller barato presente nos livros que se vendem nas gôndolas dos super mercados dos Estados Unidos.

O filme é claramente proposto para Kidman brilhar e provar que ainda é capaz de fazer papeis diversificados, e no que toca sua atuação, o filme acerta. Acerta também em criar uma atmosfera pessimista e niilista, tanto que a maior comparação feita a ele, é que a obra foi talhada para passar nas sessões do Super Cine.

Ao menos nas questões envolvendo a violência explícita O Peso do Passado acerta demais, é sujo, certeiro e agressivo quando precisa e Kusama não tem pudor em mostrar o pior da humanidade, apesar de em alguns pontos, levar a frente um discurso moralista e meio reacionário. Mesmo em seus exageros há um movimento de orquestra bem concebido e isso por si só já torna esse uma das melhores obras de Kusama.

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