[Crítica] O Poderoso Chefinho

As animações contemporâneas se bifurcam em duas vertentes: aquela que expandiu suas produções além de um mero produto familiar de entretenimento, como a Pixar, Studio Ghibli e, recentemente, a Laika; e outros cujo enfoque é apenas a diversão com um apelo maior ao público infantil. Dois polos que atingem um grande número de bilheteria, ainda que no caminho do entretenimento a fórmula se demonstre mais evidente.

Dirigido por Tom McGrath, responsável por outras animações-pipoca da Dreamworks como Madagascar, Os Pinguins de Madagascar e Megamente (este último um ponto fora da curva por uma qualidade elevada além do riso fácil), O Poderoso Chefinho é um filme que poderia fazer parte da primeira vertente e se expandir além de um produto de entretenimento. Afinal, abordar o nascimento de um irmão pela visão de um garoto, dando margem a uma imaginação ativa que o faz imaginá-lo como um vilão, teria uma necessária carga dramática e cômica. Porém, o roteiro de Michael McCullers, cujo melhor texto ainda é o divertido Austin Powers – O Agente “Bond” Cama, opta por uma trama linear, voltada para a família com direito a um riso fácil entre gags físicas e piadas bobas envolvendo bumbum e pum.

A trama apresenta uma corporação em que os bebês são divididos em duas categorias antes de nascer: os familiares, que se comportam como bebês normais e os chefes, responsáveis por mandar na hierarquia local. Para evitar que a demanda de bebês caia no mundo, um bebê executivo é enviado a Terra com a missão de, como destaca sua sinopse, demonstrar que o amor é uma força poderosa.

Ainda que tenha uma base criativa por trás, com potencial para ser uma história bem explorada a partir do imaginário do irmão mais velho do bebê, a trama evita qualquer efeito dramático para inserir os irmãos em uma missão para evitar que os bebês sejam trocados por outro tipo de amor na terra. O conceito do bebê-chefe é exposto na trama como se fosse natural, sem demonstrar se a história é apenas uma imaginação do jovem Tim, receoso por um novo membro em sua família, e, por consequência, o único que imagina o bebê como um pequeno executivo de terno, relógio e maleta, ou se, de fato, há uma corporação de infantes, oculta dos adultos.

Como estruturar um espaço imaginário daria maior profundidade a trama (e talvez teria certa semelhança com o bonito e complexo Divertida Mente), a saída foi buscar a animação de entretenimento em uma história sem muito sentido interno, recheada de cenas de humor variado em que se destacam bebês, piadas físicas e, como citado anteriormente, piadas envolvendo bumbum e pum. Não se trata de exigir argumentos complexos em uma animação, mas de compreender que, mesmo na simplicidade boba da história, há lacunas que são mal explicadas e que, mesmo atenuadas pelos risos, resultam em um filme comum que repete a formula aventuresca de outras animações lançadas anualmente no verão americano.

Porém, como muitas animações, O Poderoso Chefinho conquistou o público e mesmo concorrendo com produções de grande porte como A Bela e a Fera da Disney, teve alta arrecadação tanto nos Estados Unidos quanto nas bilheterias mundiais. Dessa forma, uma continuação está a caminho, inevitavelmente.

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