Crítica | O Predador (1987)

Clássico de ação que brinca com elementos de ficção-científica, O Predador é um filme dedicado a prática da competição. O conceito de cadeia alimentar prevê que uma espécie subjugará à outra quando a mais forte julgar necessário ou apenas conveniente. Antes de se estabelecer a tal rivalidade, entre alienígena e homem, é mostrado o chamado à aventura, com a necessidade de convocar um grupo de resgate que iria atrás de um avião pois havia sumido, e a bordo havia um embaixador importante. Tal factoide é apenas um evento genérico e uma desculpa para chamar a atenção da tropa que é mostrada. O exército chama o homem mais importante e qualificado para o caso, Alan “Dutch” Schaefer, vivido pelo astro em ascensão Arnold Schwarzenegger (Comando Para Matar).

Após medir quem ganharia na queda de braço com seu amigo Dilon (Carl Weathers, o Apollo Creed de Rocky), ele se embrenha na selva, com sua equipe, Mac (Bill Duke), Blain (Jesse Ventura), Billy (Sonny Landham), Poncho Ramírez (Richard Chaves), Hawkins (Shane Black) para lá, bater de frente com alguns asiáticos – os inimigos americanos da vez. Lá, eles descobrem que o ardil não passava de um despiste para executar sumariamente os inimigos, uma vez que Dutch é honrado demais para massacrar opositores sem um motivo ético por trás. A partir desses primeiro tomo, há uma sucessão de desenganos. O grupo tático se enfia numa armadilha na selva, onde conhecem o verdadeiro inimigo, uma criatura humanoide com traços anfibicos e reptilianos.

O filme de John McTiernan não possui grandes embates físicos, exceto no final. A caça que a criatura faz de suas presas se vale de estratégia, silêncio e muito planejamento. O roteiro de John e James Thomas brinca muito bem com a inevitabilidade da morte, e a solução final para que os heróis tenham uma vitória sobre o inimigo é dada graças ao ocaso, uma vez que Dutch percebe que a lama o camufla sem ter tido a intenção disso.

Apesar de ser contemporâneo de Rambo – Programado Para Matar, O Predador tem uma duração um pouco maior – 106 minutos -, bem empregados no sentido de apresentar um pouco do plano de fundo dos personagens, construir tensões, além de apresentar um vilão formidável e repleto de mistérios. Bastante econômico, o filme não se perde tempo explicando os motivos que fazem a criatura impingir mau aos soldados e demais terráqueos.

O Predador tem uma função importante na carreira de Schwarzenegger, que é a de acrescer um filme realmente de qualidade indiscutível, com ação frenética e um adversário a altura. Por mais que Conan – O Bárbaro e Exterminador do Futuro tenham sido filmes com sucesso de público e crítica, é neste longa que o ápice do herói de ação abraça o ator fisiculturista de vez, e sem esse precedente, certamente Exterminador do Futuro 2 não lograria o mesmo êxito que teve, tampouco faria o mesmo sentido.

Dutch é um comandante repleto de carisma, suas frases feitas funcionam melhor que as de John Matrix, por exemplo, até porque aqui se teme pelo perigo que ele e seus amigos passam. O destino do mundo está nas mãos dele e a confiança de que ao final da odisseia o lugar será mais seguro é recompensado, com uma luta complicada e que quase acaba mal para o herói. Da parte do antagonista criado pelos irmãos Thomas, quase todo segmento em que ele fez parte dispõe de tanta criatividade, brilhantismo e simplicidade quanto aqui, ainda que a continuação de 1990 seja de certa forma subestimada.

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