Cinema

[Crítica] O Presente

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O Presente - Poster

Mesmo com a diluição de gêneros cinematográficos, o Terror continua se mantendo firme dentro de sua esfera narrativa e, anualmente, é responsável por diversas produções lançadas em nossos cinemas. Distribuído pela Playarte Pictures, O Presente marca a estreia do ator e roteirista Joel Edgerton na direção. Responsável pela adaptação do roteiro de The Rover – A Caçada, a produção dirigida, roteirizada e estrelada pelo australiano, ao lado de Jason Bateman e Rebeca Hall, segue a fórmula de um estilo característico do Terror: a presença incômoda de um estranho que modifica a rotina familiar.

Na trama, Simon (Bateman) e Robyn (Hall) se mudam recentemente para Chicago a fim de um recomeço e reencontram um antigo colega da escola de Simon, Gordo (Edgerton). Após um contato inicial amigável, a personagem se torna presença constante na vida do casal, mas é vista como um incômodo. Após pedidos de que se afaste, o conflito se intensifica e um segredo do passado corrompe a relação harmônica do casal.

Diante de um cenário cuja temática é comum e repetida ao extremo em outras produções, Edgerton tenta contornar a situação modificando o vilão aparente. A primeira hora de produção se desenvolve no conflito entre a família e o estranho que se torna cada vez mais inoportuno. Gordo é representado como a figura parcialmente carismática e irritante que incomoda o casal por se sentir solitário ao mesmo tempo que tem admiração genuína pela relação. O terror, então, cede espaço para um drama que reflete a condição do estranho e o segredo compartilhado entre Simon e ele, analisando a relação de colégio das personagens, onde o bullying foi parte fundamental.

Este recurso ocupa parte da história e, mesmo gerando um conflito no casal, quebra a barreira plana do terror desenvolvido até então. A personagem de Simon adquire contornos vilanescos e parece evidente a intenção de explorar o efeito dramático da relação anterior das personagens, mesmo que a história seja voltada ao terror com vícios narrativos comuns ao gênero.

Como um suspense, o roteiro se mantém até esta modificação na história, quando o impacto da personagem se perde e o drama serve somente como conflito entre o casal para uma reviravolta artificial e chocar o público. Sem nenhuma sutileza, o desfecho parece uma obrigação do roteiro, como um pré-requisito para um suspense psicológico, uma história que o espectador assistiu anteriormente em outras versões melhores.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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