Crítica | O Primeiro Homem

Após o sucesso estrondoso de Whiplash e do oscarizado La La Land, Damien Chazelle não demorou a retornar a feitoria de longas. Em O Primeiro Homem ele faz uma cine biografia diferente, explorando as fragilidades de Neil Armstrong, mostrando ele se preparando nos anos sessenta para a viagem espacial histórica que teria a Lua. O filme começa no começo da década de sessenta e mostra Ryan Gosling se alistando para o concurso da Nasa e sofrendo testes para tal, além obviamente de conviver com a sua família.

O roteiro de Josh Singer varia bem entre momentos entre os momentos de treinamento e de intimidade da família de Neil, isso confere ao personagem uma aura de naturalidade e humanidade, realmente se acredita que o homem que vai desbravar o espaço é um homem, apesar do feito extraordinário que ele fará.

O filme é quase onírico ao mostrar a jornada mental e emocional dos astronautas que vão protagonizar  a viagem. Ao mesmo tempo em que Armstrong tem que frequentar festas da alta sociedade e fingir que se interessa por qualquer conversa dessas pessoas, ainda recebe uma ligação exatamente no momento em que está ali, interagindo com as altas rodas, com a noticia de que um dos testes de estabilidade da nave que o levaria até o corpo lunar sofreu um incidente terrível, cujo grafismo da cena tem peso emocional muito grande, com o fogo tomando a cabine, e as consequências sendo vistas na parte de fora do cubículo, onde apenas uma pequena fumaça sai do pequeno buraco que serviria para abrir a cápsula.

Chazelle não se preocupa em fazer reverência a Armstrong, ao contrário, ele é um sujeito com defeitos, cuja família sofre com sua ausência mesmo quando está de corpo presente, e de certa forma, o diretor e o roteiro de Singer desdenham da corrida espacial e da relação de rivalidade da Guerra Fria. Mesmo quando o personagem principal se emociona no espaço, nada tem a ver com essa tola disputa de egos e vaidades, é a solidão que o faz padecer de emoção e chegar quase ao ponto de chorar no vazio espacial. O conjunto de emoções do filme leva em consideração o conflito, mas não de um modo orgulhoso e preciosista, e sim com um sentimento de lástima por ter sido esse o combustível para e chegada na lua.

Gosling entende muito bem a intenção do diretor, e consegue representar de maneira muito forte e sentimental a figura  por trás da lenda, e torna palpável a humanidade do sujeito que fez parte da historia, e consegue demonstrar de maneira bem certeira e simples como a construção de lendas vivas pode ser falaciosa e enganadora, e demonstrando que  a culpa disso não necessariamente é da pessoa que se tornou o ícone.

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