[Crítica] O Que Seria Desse Mundo Sem Paixão?

o-que-seria-desse-mundo-sem-paixao-1

Após um filme de qualidade e temática controversa – Introdução à Música do Sangue – o diretor Luiz Carlos Lacerda, decide dedicar seu tempo e trabalho para discutir uma situação fantasiosa envolvendo o encontro dos fantasmas dos escritores Lúcio Cardoso (Armando Babaioff) e Murilo Mendes (Saulo Arcoverde).

As aparições variam entre o fantasmagórico e a paródia involuntária, já que a maioria das performances não é bem construída, não por culpa dos atores, uma vez que há participações de Tonico Pereira, Paula Burlamaqui, entre outros, ou seja, artistas consagrados por ótimas atuações em trabalhos anteriores. A questão principal se dá na direção pouco inspirada dentro das esquetes propostas.

Os assombramentos que alguns personagens fazem a Murilo e Lúcio dialogam perfeitamente com o assombrar que ocorre com o público que tem o terror de consumir o texto fraco de O Que Seria Desse Mundo Sem Paixão?. A tentativa de ser poético não funciona, pelo contrário, os diálogos transbordam banalidade e didatismo, quando não são acompanhados por uma narração que pouco acrescenta ao roteiro.

A performance de Patrícia Niedermeier destoa do todo, exatamente por alcançar tudo o que o filme não consegue, que é inspiração e combinação de atuação com o texto dito. Sua participação torna-se um desperdício em meio a um produto que é trôpego. As partes mais interessantes são os links com o cinema dos outros e não com os de Lacerda. A falta de naturalidade e fluidez compromete a suspensão de descrença do público.

Outro fator positivo é a personagem de Natália Lage, que está deslumbrante ao trabalhar como uma mulher cambaleante e empática, arrebatadora em sua condição de extrema humanidade. No entanto, essa é mais um ponto fora da curva, como mais um acerto em meio a um gigante volume de erros.

Lacerda é um diretor que ficou conhecido por suas participações como assistente de Nelson Pereira dos SantosRuy Guerra, e seus maiores méritos foram com filmes documentais. Ainda assim nos momentos que misturam ficção com alguma realidade as sequências são risíveis, principalmente a que põe frente à frente um dos escritores entrevistado por um crítico de cinema famoso. A cena é pensada com boas intenções, mas a execução é complicada e toda a composição soa equivocada, causando risos ao invés de emocionar por inspiração e reverência, sendo essa a o resumo da qualidade de O Que Seria Desse Mundo Sem Paixão? especialmente em suas complicações e extrema pretensão.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook, e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.