Crítica | O Retorno do Herói

Produção franco-belga, O Retorno do Herói é um filme de Laurent Tirard, ambiente nos anos 1800, e foca na relação do Capitão Neuville, vivido por Jean Dujardin, de O Artista. O homem, farsesco e covarde promete desposar uma moça bastante nova chamada Pauline (Noémie Merlant), vinda de uma família interiorana, os Beaugrand. Ocorre que, Neuville é chamado a guerra. Ao ver sua irmã deprimida, sem sair da cama e incapaz até de comer, Elisabethe (Melanie Laurent) decide escrever cartas que seriam do tal capitão, para alimentar as esperanças da irmã, por pena, o problema é que a mentira vai se avolumando a níveis jamais imaginados.

Aos poucos, Neuville passou a ser conhecido por feitos absurdos e heroicos que as cartas descreviam e a mentira passou a circular como verdade via boato, e “viralizou” através da fofoca. Ela não seria descoberta, se não fosse o caso de Neuville reaparecer, muito diferente um tempo depois, como um desertor, decadente, com uma barba horrível e aparência de maltrapilho.

A veia cômica funciona muito bem quando é Laurent que comanda a comédia, Dujardin não compõe um personagem tão engraçado, apesar de fingir muito bem todo o glamour que foi descrito nas cartas, mesmo sem saber exatamente do que se trata exatamente toda boataria. O roteiro de Tirard e Grégoire Vigneron busca por soluções bastante óbvias, quase todas as reações são previsíveis, como se tivesse um aviso de uns cinco minutos antes delas acontecerem, especialmente nos embates morais que Neuville e Elisabethe trocam. Mesmo a afeição que começa a se desenrolar dali é aparente desde o retorno do personagem masculino.

Toda a ópera construída por Elisabethe acaba por ser desbaratada em determinado momento, depois de uma série de eventos que demonstram o quão retrograda era a época. O filme de aproximadamente 90 minutos, ganha um tom mais sério e dramático perto de seu desfecho, distante da ideia anterior de ser uma paródia dos dramalhões de guerra antigos sobre as guerras na Europa, se aproximando das comédias francesas dos últimos tempos. A sensação ao final de O Retorno do Herói é que o filme não teve maturidade suficiente para decidir o que seria de verdade, pois acerta um pouco no que tange ao humor e quase nada em relação a questão da guerra ou do romance que procura construir a seguir.

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