Crítica | Olympia – Parte 1: Ídolos do Estádio

Parte da construção da figura de cavaleiro perfeito que Adolf Hitler teve durante sua carreira  como chanceler, comandante em chefe e fuhrer na Alemanha se deu pela colaboração de imprensa e artista com o seu governo, e Leni Riefenstahl foi fundamental nesse quesito. Em 1938, já depois de A Vitória da Fé e O Triunfo da Vontade, ela trouxe a luz Olympia – Parte 1: Ídolos nos Estádios, um documentário que começa mudo, mostrando monumentos gregos, que ficam bastante bonitos com as técnicas de iluminação que a diretora sabia empregar, ganhando um ar de mistério ao reunir a trilha instrumental que induz emoção e a fumaça artificial empregada ali.

Há de se lembrar que é um filme do início da era de outro do cinema, os clichês da arte ainda seriam inaugurados, estavam na verdade em construção com o cinema da diretora alemã e esse pode parecer menos patriótico e menos propagandista que O Triunfo, mas e bem pouco. Os esportes olímpicos eram competidos pela nata da humanidade, os melhores entre os melhores, os servos do panteão olímpico, e nada mais justo para um país totalitário e que acredita na raça pura, associar os feitos do ariano a isso.

Hitler não demora a aparecer, aos 16 minutos ele saúda as comitivas esportivas que chegavam aos jogos de 1936 em Berlim, e os esportista saudavam o líder com a o símbolo Heil Hitler, bem como os italianos, que vinham do país de Mussolini, e segue bizarro a torcida se levantando no estádio para saudar a bandeira nazista, com uma suástica enorme. A prova cabal de que o povo estava com seu governo, é importante lembrar e frisar isso, não perder de vista que existia adesão do povo as idéias totalitárias e ao culto da imagem tiveram eco com o  povo.

O meio do filme não é tão bem feito quanto a introdução, que é longa e semelhante aos filmes mudos, se valendo da imagem para contar sua historia. É engraçado, pois tanto as Olimpíadas quanto a obra de Rifenstahl são anteriores a Guerra, e aqui há até um certo louvor aos Estados Unidos, tocando o hino da nação que seria adversária do  Eixo em 1941. Com a União Soviética não participou da competição, nem houve necessidade de mostra-la em qualquer instância, evidentemente.

O filme carece de um ritmo mais dinâmico, se torna enfadonho em alguns pontos, mesmo se descontando a questão temporal. Esperava-se que o tom competitivo salva-se isso, mas não, e ele é claramente menos propagandista que o resto da filmografia de Riefenstahl, embora, coincidência ou não, haja um enfoque grande em atletas do Japão, que formaria o Eixo com Itália e Alemanha, e muitas vaias para os atletas da America, sobretudo os negros.

Assistir hoje Olympia Parte 1 é um misto de sensações, de asco pelo louvor que Riefenstahl propagava ao Fuhrer e ao seu governo, ao mesmo tempo que é um bom registro de como era as competições olímpicas nos  anos quarenta, ainda que essa versão tenha uma duração longa, de quase duas horas, fato um tanto incomum para a época, ainda assim a técnica da diretora, que tornou sua arte em algo ainda mais erudito, apesar dos pesares e da propaganda ao ideal nazi-fascista.

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