Crítica | Operação Final

Ainda sob os vestígios ultra recentes de uma segunda grande guerra mundial, agentes secretos israelenses descobrem que um oficial nazista, responsável por inúmeras mortes e tragédias, está refugiado na Argentina. Nisso, uma operação toma forma para capturar o perigoso e calculista Adolf Eichmann, a fim de levá-lo a responder por seus crimes em Israel, e evitar assim a impunidade que pode parecer existir a qualquer outro que queira seguir os seus exemplos homicidas. E é justamente essa busca ambígua por justiça que norteia a trama do melhor filme da carreira de Chris Weitz, o cineasta de O Céu Pode Esperar e A Saga Crepúsculo: Lua Nova.

Pela sua narrativa cheia de pequenos grandes episódios, todos preocupados a explicar cada detalhe de uma história de perseguição por meio de diálogos expositivos, Operação Final parece, em inúmeros momentos, ser baseado em algum livro semi ou totalmente desconhecido sobre as consequências do maior conflito da humanidade a ferir seus direitos básicos, e provocar mazelas civilizatórias e culturais ainda muito sentidas, principalmente nos idos que o filme de Weitz se passa. Todos ainda lidam com seus traumas, e tocam a vida como podem, principalmente em solo israelita, entre bares e casas de família ainda sob uma tensão que parece, aos poucos, dar lugar a uma paz ainda que ilusória.

Na verdade, pode-se fazer aqui um paralelo bastante curioso e deveras específico com O Espião que Sabia Demais, outro exemplar desse mundo de agentes secretos cuja atmosfera de desconfiança e de paranoias onipresentes é bastante similar a obra, em questão. Ambos os filmes conseguem nos seduzir facilmente, e com muito charme e elegância, para esse mundo onde tudo é uma pista em potencial rumo a um alvo único, ou não, e ninguém é confiável nas trevas onde esses agentes operam. Uma realidade na qual seus profissionais estão condenados a ter uma vida pessoal interrompida por qualquer ligação chamando ao dever, a qualquer hora, e seria por isso que Oscar Isaac encaixa-se perfeitamente no papel de Peter Malkin, peça-chave na operação rumo ao paradeiro de Eichmann. Poucos atores conseguem atuar sem alma nos olhos igual Oscar. Eis então o típico homem de gelo.

Junto de um pequeno grupo de aliados infiltrados na América Latina, Malkin chega a Argentina e rapidamente captura o oficial nazista, conseguindo prendê-lo sem dificuldades tamanha a precisão da operação título, só para descobrir que tudo ficaria mais difícil a partir de agora, pois Eichmann não se propõe a ajudar ninguém através de suas declarações, mesmo sendo deixado vivo e alimentado pelo povo que ajudou a executar. Ben Kingsley encarna o vilão com maestria esperada para um velho mestre do seu naipe, e nas cenas de reclusão, em seu quarto escuro manipulando oficiais israelenses com mil e uma palavras, sua atuação certamente torna-se a coisa mais preciosa de Operação Final, e quando nazista e israelense começam a estreitar laços de afinidade, e amizade, a linha entre pessoalidade e profissionalismo desfoca em todos os sentidos. A forma como Weitz acha humanidade na sua história é interessante, extraindo um drama saudável tanto de uma relação imprevista, quanto de uma fatia histórica praticamente impossível de se ignorar.

Facebook – Página e Grupo | Twitter Instagram | Spotify.