Crítica | Operação Overlord

Operação Overlord começa em 1944, algumas horas antes do Dia D, que consolidaria ainda mais a vitória dos aliados durante a Segunda Guerra Mundial. Na trama, uma equipe de paraquedistas norte-americanos invade a França ocupada pelos nazistas, com uma tarefa difícil de destruir uma torre transmissora de rádio em um ponto estratégico para os alemães. O que eles não imaginam é que ocorrem ali experiências encabeçadas por cientistas nazistas, baseadas de certa forma na realidade, mas com consequências mais exageradas.

A companhia é formada por muitos soldados novatos. Os que mais se destacam são Boyce (Jovan Adepo) e o misterioso cabo Ford (Wyatt Russell), além de alguns personagens genéricos que servem apenas de alívio cômico, tentando evidentemente aplacar a tensão comum em filmes de guerra. No começo do filme de Julius Avery (Sangue Jovem), há um misto entre ansiedade e angústia, e essa boa sensação seria melhor aproveitada se os diálogos não fossem tão expositivos.

Ao caírem em solo inimigo, Boyce quase sucumbe, aliás, há uma cena envolvendo o seu paraquedas e a queda na água, que faz uma referências óbvias demais a clichês de renascimento, em mais um exagero que ajuda a dar um charme de coisa irreal ao longa, e que junto à extrema violência e toda escatologia gore seja das dilerações e explosões, formam a atmosfera popular da produção de J. J. Abrams.

Apesar de extremamente divertido, há também uma preocupação do roteiro de Billy Ray e Mark L. Smith em massificar a vilania dos nazistas, pondo eles como abusadores, malvados como o diabo e seus demônios. A figura de Wafner (Pilou Asbæk) é terrível em múltiplos sentidos, tão ruim que faz os momentos em que ele aparece soarem extremamente maniqueísta e beirando o sensacionalismo, mas nada que deponha contra o filme.

Cada personagem tem um equivalente, uma pessoa a quem se afeiçoa ou se irrita, e isso soa bastante irritantes em alguns momentos, além disso, Boyce (que é o mais próximo da figura de protagonista) parece ter um super poder de ser imune a bombas e explosões, mas até esses super exageros ajudam a diferenciar esse de outras aventuras escapistas.

De metade para o final o filme se assume como um trash de orçamento gigantesco. Avery parece ser muito fã da fase de terror da filmografia de Peter Jackson, pois pega emprestado algumas idéias de Trash: Náusea Total ou Fome Animal para criar a atmosfera da aventura de época. O fato da obra de Avery ser somente divertida e nada pretensiosa faz encaixa-la perfeitamente no panteão de histórias escapistas e mashups de estilos dissonantes, envolvendo filme de guerra e ficção cientifica de manipulação genética, fórmula essa que se estica mas não se torna cansativa, ao menos não nesse filme.

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