[Crítica] Órfãos do Eldorado

Orfãos do Eldorado 1

Filme cujo roteiro se baseia no livro de Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado se inicia em um ambiente arenoso, o que já dá a previsão do quão nebuloso e nauseabundo será o seu texto. O roteiro, adaptado pelo realizador Guilherme Coelho e por Hilton Lacerda (o mesmo que dirigiu o bom Tatuagem), foca no vazio existencial de um homem jovem e deprimido, que vê seu futuro ser abraçado por fantasmas do passado.

Daniel Oliveira vive Arminto, um rapaz que tentava a vida como músico, e que retorna à casa de seu pai, que estaria com uma doença praticamente incurável. Na antiga casa, ele encontra sua antiga amante e madrasta Florita (Dira Paes), que prossegue em sua vida sem evolução ou mudanças drásticas, ao lado do homem velho.

O romance de Hatoum pedia uma quantidade de nuances ímpar, bem como uma abordagem não óbvia de questões muito complicadas e profundas, mas não foi esse o tento de Coelho. A premissa interessante é conduzida de modo bastante bobo, tencionando um espírito elevado que jamais é alcançado, e que faz rir ao se deparar com o desempenho dramatúrgico de atores consagrados como Oliveira e Paes. Surpreendentemente, quem consegue brilhar – mais graças à beleza do que a qualquer outro fator – é Mariana Rios, que consegue se manter sublime e sensual quando é exigida.

A aura mística também não se sustenta, graças aos sotaques forçados e cenas desnecessariamente longas, que não têm motivo ou significado algum para serem assim. Apesar de possuir uma fotografia boa, os takes mais alongados soam preciosistas, distantes demais do que deveria propor. Não há contestação, não há aprofundamento e nem um mergulho no emocional dos personagens. O que sobra é um gigantesco vazio, diferente demais do proposto por Hatoum.