Cinema

[Crítica] Os Caça-Noivas

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Após o fim de High School Musical, o ator Zac Efron tem se esforçado para tirar de si a impressão de somente fazer papéis de bons moços. Sua filmografia recente inclui filmes densos como Obsessão e comédias adultas como Vizinhos e Tirando o Atraso. Os Caça-Noivas se encaixa na segunda categoria, sendo uma comédia rasgada dirigida por Jake Szymanski que conta a historia de dois irmãos Strengle, Dave (Efron) e Mike (Adam DeVine) que são obrigados a arrumarem acompanhantes para o casamento de uma parente, a fim de que não estraguem festa de cerimônia, como normalmente fazem.

O mote do roteiro faz lembrar uma versão repaginada de Penetras Bons de Bico, ainda que haja uma preocupação maior da parte dos protagonistas masculinos em se adequar a uma realidade mais normativa e menos baladeira. A busca por parceiras de casamento vai mal, ao ponto dos dois irem a televisão fazer um apelo, que é atendido por Tatiana (Aubrey Plaza) e Alice (Anna Kendrick), duas meninas tão tresloucadas quanto a dupla masculina.

A viagem rumo ao enlace no Hawaii produz algumas surpresas no público, como a inversão de expectativa relativa ao humor. A comédia parecia pender para um lado mais machista e de exposição de corpos femininos subverte isso. As acompanhantes não são presas fáceis para os homens e a exploração de sexualidade são todas pró mulheres, seja através da personagem prima de ambos Terry (Alice Wetterlund), que flerta com uma das moças, ou nas piadas com o orgasmo feminino. De certa forma, o filme acerta onde Missão Madrinha de Casamento falhou, em ser um escracho repleto de estrogênio que soa tão oportunista quanto o filme de Paul Feig, que bebia da fonte de Se Beber Não Case.

O terço final é ligeiramente mais reflexivo e nele, os futuros noivos Jeanie (Sugar Lyn Beard) e Eric (Sam Richardson) tem um choque de realidade, que os faz reavaliar todo os sentimentos que tem um pelo outro, e reconsiderar os votos de casamento. O choque de culturas tão diferentes produz um desfecho de história adocicado e clichê, que é salvo da completa mediocridade graças ao carisma das personagens femininas, tendo atenção especial as atuações de Kendrick e Plaza, que possuem uma química interessante e apresentar nuances mesmo em personagens estereotipados.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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