Crítica | Os Fantasmas de Ismael

Os Fantasmas de Ismael é um filme francês metalinguístico, que remonta a história de seu personagem título, um diretor de cinema vivido por Mathieu Almaric de nome Ismael Vuillard. Ele está se preparando para realizar um novo filme, e nessa época se relaciona com Sylvia (Charlotter Gainsbourg), uma mulher que tem um misto de admiração e desprezo pelo mesmo, uma vez que ele cansa de menosprezá-la. Em um dia comum, um personagem do passado ressurge, como se nada houvesse acontecido no período de ausência, e tenta achar seu lugar nessa equação.

Esse personagem é Carlotta (Marion Cotillard), a ex-esposa Vuillard que ficou sumida por vinte anos. Sua readaptação não é fácil, ao contrário, é feita de maneira forçosa e agressiva. A partir daí, um drama que realmente desperta o interesse do espectador começa, em especial pelo cunho de sedução e dificuldade de escolha que Ismael sofre, mas ao mesmo tempo o ritmo é prejudicado por fatores externos.

O roteiro se dedica bastante a tramas paralelas, que em suma, ajudam pouco no decorrer da história, a não ser para estabelecer o sentido de enfado e de peso proveniente do cansaço depressivo que o protagonista passa. Essa sensação é passada também ao publico, de um incomodo, mas que não é bem construído ao ponto de se entender o que o personagem sente de maneira distante, e sim de acabar vivendo aquilo por que as sub-tramas são fracas e entediantes.

Gainsbourg quando reaparece rouba a cena, assim como a performance de Almaric também é bem inspirada, já Cotillard não tem muitos momentos bons, e aparentemente só está ali para causar dúvidas em Ismael, além de elevar o nível estético do filme, o que claramente é muito pouco, uma vez que seu talento dramatúrgico é ainda maior que sua beleza.

O final tenta amarrar algumas das pontas soltas, mas não consegue justificar a maioria dos tropeços que o texto tinha, em especial por não conseguir conversar bem entre núcleos, tendo um muito bem construído, e o outro não tão carismático ou importante aos olhos do espectador, o que torna boa parte do drama desimportante, o que é uma pena, já que a historia parecia ter um potencial maior do que o mostrado no resultado final.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.