Crítica | Os Goonies

Os Goonies

Pois é, bateu uma nostalgia nesses últimos dias e decidi assistir novamente o clássico da Sessão da Tarde, Os Goonies. Me pergunto, qual jovem nascido no final entre os anos 70/80 não se divertiu com este filme?

O filme tinha a receita exata para a geração daquela época, afinal, era bastante comum inventar brincadeiras na rua e sair desbravando rua-a-rua, arrumar confusões com o pessoal do bairro vizinho, inventar brincadeiras novas ou mesmo as velhas, tudo isso até a hora do sol se pôr, sinal dado para a molecada voltar para casa antes que tomassem uns “petelecos” dos pais. Mas o melhor de tudo eram as tão esperadas férias, onde tínhamos quase 2 meses de diversão, sem se preocupar com lições de casa e provas. Enfim, um retrato de uma geração há muito esquecida, onde as travessuras de rua foram trocadas por horas em frente ao computador ou videogame (bons tempos de fliperama), tudo isso talvez seja motivado pela violência crescente e pelos pais super protetores de hoje, ou talvez, a violência continue a mesma, os pais também e eu esteja bancando o nostálgico aqui… Talvez, seja isso mesmo.

No meio disso tudo, tínhamos os famosos filmes “juvenis” dos anos 80, entre eles estão clássicos como Conta Comigo, Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado, entre tantos outros. Dentre essa invasão, Os Goonies reunia tudo aquilo que as crianças daquela época viviam: aventuras, confusões, trapalhada (parece até uma chamada da sessão da tarde, não é mesmo?), talvez por isso, o filme seja tão querido por tantos, por tudo que representou em sua infância, um retrato de suas aventuras, em menor potencial, é claro. Mas ele tem o ar infantil que toda criança tem, a vontade de sair por aí, conhecer novos lugares, fazer novos amigos, saber seus limites, Goonies transpira tudo isso.

Richard Donner consegue transpor todos esses sentimentos em tela, o filme “cheira” a aventura juvenil, seja no roteiro, nas interpretações ou mesmo na trilha. A produção é assinada por ninguém menos que Steven Spielberg e o roteiro é do próprio, com a adaptação feita por Chris Columbus. Com um time desses, é difícil acreditar que não poderia dar certo.

Falar da história de Goonies não é novidade pra ninguém, porém, se existe alguém que ainda não viu (corrija essa falha de caráter agora!), vamos lá. A cidade onde um grupo de garotos moram, será demolida para a criação de um campo de golfe, com isso, esse grupo de amigos terão de se mudar para lugares distantes uns dos outros, colocando ao fim nas aventuras vivenciadas por eles. No último dia deles em sua cidade, Mikey (Sean Astin ainda criança), encontra um mapa que supostamente levaria a um tesouro pirata.

Como uma última aventura do grupo, eles decidem sair em busca desse tesouro e quem sabe quitar a dívida que os possibilitava de continuar com suas casas e impedir a construção do campo de golfe e a separação deles. Contudo, um dos pontos de partida fica dentro de uma casa na colina (por sinal, que fotografia excelente durante este trecho do filme), que está habitada pelos Fratelli, bandidos foragidos que estão usando o local como esconderijo. Uma trama relativamente simples, porém, divertidíssima.

A produção de Spielberg não poupou verba durante o filme. Quem não se lembra do navio pirata construído em tamanho real para as filmagens? Quanto ao elenco, os personagens são carismáticos e muitos se tornaram ícones da cultura pop. Cenas como a do Gordo se confessando para os Fratelli, Sloth e seus chocolates, Bocão falando espanhol com a empregada da mãe de Mikey e as invenções que nunca davam certo do Data são inesquecíveis.

Direção impecável e elenco cativante em uma história aventuresca e repleta de magia torna Goonies um filme que sempre será lembrado com carinho por quem já o assistiu, e acima de tudo, Goonies é um retrato de uma geração que quem viveu, sente saudades.