[Crítica] Os Guardiões

Filme russo, do filão de super-heróis, Os Guardiões começa de maneira curiosa, denunciando questões como o atomic horror que permeou toda o ideário da Guerra Fria, iniciando as explicações a respeito dos poderes dos personagens com uma musica pop cantada em inglês. Basicamente, o longa explora uma trama da época da União Soviética, em que Josef Stalin teria começado um programa de experimentos para transformar recrutas em super-humanos. Um deles se rebela e provoca o caos entre a sociedade russa.

Para contrapor isso, uma força tarefa da inteligência russa começou a pesquisar entre os cidadãos comuns do país, na Sibéria, Cazaquistão e demais repúblicas soviéticas, pessoas aptas a passar pelos experimentos. Chega a ser engraçado ver toda a estética de filmes americanos/britânicos retratando a outra polaridade da Guerra Fria. Os efeitos especais e os poderes dos personagens fazem lembrar momentos icônicos de bons filmes de heróis, como X-Men 2, mas também guarda semelhanças estéticas com G.I. Joe, embora pareça muito mais com o segundo.

O filme de Sarik Andreasyan lembra demais as produções da Asylum, seja nas atuações que não entregam boas interpretações, como nos efeitos especiais sofríveis. Um desses heróis se torna um Urso e tem o arquétipo típico de um cientista, ao melhor estilo Hulk. Sua persona é das coisas mais toscas e maravilhosas, uma vez que ele, sem intenção de ser, torna-se um alívio cômico carregado de estereótipos vazios.

A direção de arte é ineficaz, uma vez que não há qualquer reconstrução de época, de modo que os vigilantes parecem viver na atualidade e não nos anos oitenta. O visual se encaixaria perfeitamente nos dias atuais, tirando pequenas referências de época. Há uma cena pós-crédito, que dá vazão a possíveis continuações, e dada a condição extremamente precária da obra, a torcida para que haja prosseguimento na saga é grande, já que o conteúdo é tão incrivelmente inadequado que soa hilário.

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