[Crítica] Paixão Obsessiva

unforgettableCom roteiro de Christina HodsonDavid Leslie Johnson, e direção de Denise Di Novi, o filme começa in media res (técnica narrativa onde a história começa no meio, em vez de no início), com Julia Banks (Rosario Dawson) numa sala de interrogatório de uma delegacia, com o rosto bastante machucado, aparentemente dando depoimento sobre a agressão sofrida. Obviamente, não é bem isso. O investigador quer que ela explique como aquele homem – Michael Vargas (Simon Kassianides), um ex-namorado de Julia – acabou sendo morto na casa dela, depois de ter sido atraído para lá por uma série de mensagens de cunho erótico enviadas via Facebook.

Corta.

Seis meses antes, Julia estava largando uma ótima colocação em NY a fim de se mudar para uma cidadezinha onde seu noivo – David Connover (Geoff Stults), divorciado, com uma filha de uns 10 anos – tem uma pequena cervejaria. A adaptação de Julia à nova vida tem seus percalços. Mas tudo piora quando a ex-esposa de David, Tessa Connover (Katherine Heigl), fica sabendo que o casal pretende se casar. Com atitudes bem à la Glenn Close, em Atração fatal, Tessa passa a infernizar o dia-a-dia de Julia.

Mesmo que o espectador vá assistir sem saber do enredo – descrito na sinopse oficial – concluiria rapidamente que não tinha como aquilo dar certo. A ex tem uma cara de perturbada que realmente assusta e que só os personagens da história não percebem. Aliás, a performance de Heigl merece ser reconhecida. Todo o elenco está bem – Dawson principalmente – mas Heigl se sobressai, com um olhar de quem tenciona fuzilar o espectador a qualquer momento.

Apesar da curta duração – apenas 1h40m – é um filme cansativo. E a principal razão é por ser muito, muito previsível. Estar repleto de clichês também não colabora. Assiste-se pensando “Ok, já entendi, pode pular para o desfecho, para eu sair logo e tomar um sorvete”. O que deveria ser um thriller acaba sendo apenas um dramazinho mal costurado, que causa risadas em vez de tensão. Não há como não achar graça das caras e bocas da mãe de Tessa (Cheryl Ladd), da credulidade improvável de Vargas, da quantidade de clichês narrativos mal utilizados, do excesso de obviedades, dos diálogos previsíveis, dos exageros em cena, etc.

A fotografia é boa, a trilha sonora não atrapalha, cenografia e figurino OK. É um filme “assistível” mas, ao contrário do que o título original sugere, totalmente “esquecível”.